5/02/2009
N'O Público: "Câmara de Lisboa vai começar a usar água reutilizada para lavar ruas e regar zonas verdes "
Será este um passo rumo à utilização dos sistemas duais de abastecimento de água? Não se tratando ainda de um sistema físico implementado, é uma abertura à implementação destes. Um sistema dual implica o abastecimento de dois tipos de água: água potável para consumo humano e água reciclada (a partir das águas residuais) para outros fins que não requerem água potável, como por exemplo o uso em autoclismos. A água potável existente no planeta é muito escassa e deve ser poupada. O uso desmedido desta água para qualquer fim é um hábito que vai contra a poupança que devemos fazer. Claro que é extremamente caro e complexo implementar estes sistemas numa cidade toda mas pode começar a ser implementado em novas urbanizações, em hóteis, nos jardins públicos. Na Austrália há várias cidades que já usam este sistema e novos bairros de Sydney preparados para isto. Na Índia também estava em estudo um sistema deste tipo e na Itália também há hotéis que já têm, entre outros países. Nalguns países menos sensíveis para as questões da água pode ser difícil ultrapassar alguma resistência, por parte da população, à ideia de usar água reciclada mas é importante informar que esta água também é tratada. Há a questão da segurança. Houve uma cidade australiana em que trocaram os tubos, fazendo uma ligação de água reciclada a água potável, pelo que é importante a formação dos técnicos que fazem a instalação e uma boa sinalização. Há também a questão do preço, podendo haver diferenças de preço entre os dois tipos de água. De qualquer forma o importante é que este é um caminho quase certo em pouco tempo...
4/25/2009
Darwin no Museu da Ciência

Abriu no passado dia 23 de Abril, no Museu da Ciência da Universidade de Coimbra esta exposição. Vale a pena visitar. O Museu encontra-se aberto de Terça a Domingo (excepto 1 de Maio, dia do Trabalhador) entre as 10H00 e as 18H00 (convém ir antes para apreciar com tempo tanto esta como a exposição permanente do Museu). O preço da entrada é de 3 euros, e há descontos para professores, estudantes, cartão jovem e seniores, mediante apresentação de cartão. Se clicar no título é direccionado para o site do Museu onde pode obter mais informações.
4/19/2009
Zé Coveiro
Parece que o Zé Coveiro, figura mítica lá para os lados de uma pequena vila do centro de Portugal, tinha muita pancada e pouco medo.
Conta-se que um dia o Zé Coveiro arranjou um ajudante, menos destemido para esse mórbido trabalho que era enterrar os mortos e alvo fácil para as ideias dele. Houve então um funeral na vila que, atrasando-se, chegou ao cemitério já depois do pôr-do-sol! Ora, não podendo os mortos ser enterrados depois do sol havia que guardar a urna no cemitério e tomar conta do defunto até ao dia seguinte, para ser depois enterrado. Ficou o Zé Coveiro, e o ajudante - que ajudante é para isto mesmo - encarregue da tarefa. Durante a noite a fome começou a apertar e diz o Zé Coveiro para o ajudante "Oh pá, há ali em baixo umas laranjas deliciosas. Agora que é noite ninguém nos vê se as formos roubar. Tu ficas aqui a tomar conta do defunto e eu vou lá". Note-se que na altura ainda não havia luz eléctrica. Mas o ajudante não quis tal acordo, se tinha que ficar sozinho com o defunto. Decidiram então que iria o ajudante buscar as laranjas e o Zé Coveiro ficava no cemitério. Enquanto o pobre rapaz lá ia, lembrou-se o Zé de lhe pregar um grande susto. Tirou o defunto do caixão e encostou-o à parede, no sítio onde ele devia estar! Então, deitou-se ele dentro do caixão, deixando uma fresta aberta e esperou... Chega o ajudante com as laranjas e, como mal via os contornos da noite, não dando pela troca, diz ao defunto "Toma Zé, toma uma laranja, são bem boas..." como não obteve resposta, insistiu "então mas não dizes nada, Zé? Agarra a laranja ou não queres?" Vira-se então o Zé Coveiro dentro do caixão, põe uma mão de fora e diz com voz cavernosa "Se ele não quer, quero eu!!" Pobre ajudante, mal conseguiu gritar, deixou cair as laranjas todas pela encosta do cemitério abaixo e desatou a correr até à vila, gago de tal susto! Nunca mais foi ajudante do Zé, o Coveiro.
Conta-se que um dia o Zé Coveiro arranjou um ajudante, menos destemido para esse mórbido trabalho que era enterrar os mortos e alvo fácil para as ideias dele. Houve então um funeral na vila que, atrasando-se, chegou ao cemitério já depois do pôr-do-sol! Ora, não podendo os mortos ser enterrados depois do sol havia que guardar a urna no cemitério e tomar conta do defunto até ao dia seguinte, para ser depois enterrado. Ficou o Zé Coveiro, e o ajudante - que ajudante é para isto mesmo - encarregue da tarefa. Durante a noite a fome começou a apertar e diz o Zé Coveiro para o ajudante "Oh pá, há ali em baixo umas laranjas deliciosas. Agora que é noite ninguém nos vê se as formos roubar. Tu ficas aqui a tomar conta do defunto e eu vou lá". Note-se que na altura ainda não havia luz eléctrica. Mas o ajudante não quis tal acordo, se tinha que ficar sozinho com o defunto. Decidiram então que iria o ajudante buscar as laranjas e o Zé Coveiro ficava no cemitério. Enquanto o pobre rapaz lá ia, lembrou-se o Zé de lhe pregar um grande susto. Tirou o defunto do caixão e encostou-o à parede, no sítio onde ele devia estar! Então, deitou-se ele dentro do caixão, deixando uma fresta aberta e esperou... Chega o ajudante com as laranjas e, como mal via os contornos da noite, não dando pela troca, diz ao defunto "Toma Zé, toma uma laranja, são bem boas..." como não obteve resposta, insistiu "então mas não dizes nada, Zé? Agarra a laranja ou não queres?" Vira-se então o Zé Coveiro dentro do caixão, põe uma mão de fora e diz com voz cavernosa "Se ele não quer, quero eu!!" Pobre ajudante, mal conseguiu gritar, deixou cair as laranjas todas pela encosta do cemitério abaixo e desatou a correr até à vila, gago de tal susto! Nunca mais foi ajudante do Zé, o Coveiro.
4/18/2009
Agitação na vila...
Por este(s) dia(s) Coimbra está agitada. Há um colóquio sobre Património e Ciência, há Olimpíadas de Química, há inauguração do Mosteiro de Santa Clara (vi algures que os arquitectos tinham amuado - palavra que tenho associado muito arquitectos - excepto a ti, verixe), haverá a inauguração da exposição sobre Darwin no Museu da Ciência... entre outras coisas que fazem a vida social desta pequena vila. Há também um casamento, não sei de quem, mas sei que ocupam os estacionamentos que eu precisava...Coimbra está agitada.
4/10/2009
Coimbra é dos espanhóis
Já nos anos anteriores foi assim. Aproxima-se a Páscoa, já entrámos no fim-de-semana. Coimbra está vazia... ou quase. Neste momento é dos espanhóis. As pensões da baixa têm nesta altura uma lufada de ar espanhol. Ainda bem que eles às vezes nos salvam. Falei com dezoito pessoas hoje. Entre casais jovens e famílias, eram todos espanhóis. Mesmo assim pelas informações dos locais turísticos vieram muito menos este ano, até ao momento. Também reparei. Os que vieram são os que ainda não foram afectados pela crise, presumo. Também vieram menos tempo. Começaram a vir mais perto do fim de semana. É pena, eles dão vida a esta cidade nestas alturas. E dinheiro à Polícia Municipal, a julgar pela quantidade de carros espanhóis que vi aí bloqueados ontem. Gostaria de saber o que pensam quando vão embora. Será que foram bem tratados? Gostaram? Ficaram chateados por estar quase tudo fechado? Alguns ficam, segundo me disseram, mas Coimbra é assim (e mesmo assim já melhorou). A cidade que comete a arrogância de achar que se basta a si própria. Pois não basta. Espero que os nossos turistas espanhóis não achem o mesmo e que vão e voltem e tragam um amigo. É bom para a cidade e podia ser ainda melhor...
4/04/2009
Make up

É muito raro comprar maquilhagem, normalmente uso a que me oferecem. Mas hoje, como mulher adulta que tenho que ser, fui comprar um rímel. Lá vi e revi e pedi opinião profissional... uns enrolam as pestanas para parecerem maiores, outros dão mais volume, para parecerem maiores, outros têm uma aplicação prévia nas pestanas, para parecerem maiores e há ainda os que vibram e separam as pestanas umas das outras (segundo ouvi dizer) para parecerem maiores... Depois de muita ponderação e de experimentar os vários ...escolhi o mais barato.
3/28/2009
Censos
O recenseamento da população de um país é um procedimento bastante antigo. Um dos recenseamentos mais conhecidos é referenciado na Bíblia: segundo os relatos da altura este coincidiu com a altura do Natal. Maria estaria a fugir do recenseamento ou a ir para o local do recenseamento. Inclusivé este recenseamento terá sido usado para perseguir Jesus Cristo (matar todos os meninos com menos de um ano seria a solução). Mas há dados que remetem para recenseamentos feitos na China há cerca de 6000 anos atrás. A importância dos censos era óbvia: perceber quantos homens jovens se podia dispender numa guerra, perceber onde estava a maior força de trabalho, a maior produção, quantas bocas haveria para alimentar. Hoje em dia a importância é mais administrativa e informativa. Segundo Fernando Casimiro, do INE, os censos são, no fundo a fonte estatística mais completa e fiável que os países conseguem ter, actualmente. No entanto, exactamente por ser fonte de informação os censos são vistos com alguma desconfiança. Esta desconfiança tem um fundamento geral: é uma recolha de informação sobre cada um de nós e qualquer interferência na privacidade é tomada com uma forma de possível controlo da nossa vida; e um fundamento mais concreto: na história recente os censos foram um instrumento de guerra. Hitler usou o recenseamento da população para identificar os judeus, que viria a perseguir. Os alemães, ao invadirem a França dirigiram-se ao INSEE para obter informações sobre os judeus em França e sobre a actividade económica, nomeadamente a identificação e localização de indústrias importantes para o esforço de guerra. Estas são algumas razões para o medo da concentração de informação sobre todo o país: quem terá acesso a essa informação e o que pode fazer com ela? Há países com mecanismos preparados para que, em caso de invasão de outra potência todos os ficheiros dos respectivos institutos nacionais de estatística sejam destruidos imediatamente.
Actualmente, com o surgimento do cartão do cidadão que cruza e junta a informação toda do cidadão de um país a questão da privacidade ressurge. Provavelmente, talvez não em 2011, mas em 2021 o recenseamento já não será feito através do inquérito porta a porta mas pela extracção de informação da máquina burocrática do estado. Tudo o que há para saber sobre nós poderá ser acedido pelo Estado. É isto perigoso? Num país democrático, em princípio não deverá ser porque há algum controlo do poder, mas numa ditadura o perigo é real. Há várias opiniões acerca deste assunto. Por um lado é verdade que mesmo sem censos, caso haja uma ditadura, facilmente o ditador faz um recenseamento da população, rápido e completo para os objectivos que tiver, por isso a questão do perigo nem sequer se coloca. Mas por outro será que o acesso a informação toda poderá facilitar a ascensão de um ditador?
Actualmente, com o surgimento do cartão do cidadão que cruza e junta a informação toda do cidadão de um país a questão da privacidade ressurge. Provavelmente, talvez não em 2011, mas em 2021 o recenseamento já não será feito através do inquérito porta a porta mas pela extracção de informação da máquina burocrática do estado. Tudo o que há para saber sobre nós poderá ser acedido pelo Estado. É isto perigoso? Num país democrático, em princípio não deverá ser porque há algum controlo do poder, mas numa ditadura o perigo é real. Há várias opiniões acerca deste assunto. Por um lado é verdade que mesmo sem censos, caso haja uma ditadura, facilmente o ditador faz um recenseamento da população, rápido e completo para os objectivos que tiver, por isso a questão do perigo nem sequer se coloca. Mas por outro será que o acesso a informação toda poderá facilitar a ascensão de um ditador?
3/27/2009
Dois novos blogs
Acrescento dois novos blogs a esta lista. Não é por nenhuma razão em especial. São só blogs que tenho lido e, como gosto de os ler, aqui estão: Ana de Amsterdam e o Regabofe.
3/15/2009
Aquário
Quero ter uma casa com varanda, e um quintal onde eu possa respirar... Pôr uma rede e assim ficar, a balançar, com o cheiro da erva e o cheiro da terra. Quero poder ver longe e ouvir grilos. Treinar a vista e plantar pimentos. Nada menos do que isso. Quem seria eu para mim se me desse menos?
3/07/2009
Bolas de sabão
Todas as tardes ela até ao rio. Ficava lá a olhar, fascinada e a fazer bolas de sabão. Soprava no líquido, muito delicadamente até se formar uma bola que, muito suavemente se desprendia e voava. Leve, quase transparente, não fosse as cores lindas que se formavam na bola. Voava, voava, sempre a tentar chegar mais alto...até que... rebentava. Nunca chegava muito longe, mas ela tentava novamente. Sempre de costas para as pessoas que passeavam no parque. As famílias, os namorados, os amigos...
Ele vendia gelados no verão e waffles no inverno. Era o herói das crianças, no verão refrescava e no inverno aquecia. Vi-a ali todo o ano, sempre a fazer bolas de sabão, sempre de costas. Parecia linda, com aquele cabelo comprido. Um dia ganhou coragem. Pegou num waffle, encheu-o de chocolate quente e espesso e foi até lá. Passou por entre as famílias e sentou-se ao lado dela. Finalmente ia conhecê-la. Ela olhou para ele e ele para ela e foi então que percebeu.... Ela tinha rapado as sobrancelhas.
Ele vendia gelados no verão e waffles no inverno. Era o herói das crianças, no verão refrescava e no inverno aquecia. Vi-a ali todo o ano, sempre a fazer bolas de sabão, sempre de costas. Parecia linda, com aquele cabelo comprido. Um dia ganhou coragem. Pegou num waffle, encheu-o de chocolate quente e espesso e foi até lá. Passou por entre as famílias e sentou-se ao lado dela. Finalmente ia conhecê-la. Ela olhou para ele e ele para ela e foi então que percebeu.... Ela tinha rapado as sobrancelhas.
2/28/2009
Sobre doutores e engenheiros
Três situações irónicas que se passaram comigo, a propósito dos títulos, que mostram o quão ridículo pode ser isto dos doutores e engenheiros:
Ouvido de passagem:
- Então a menina dra. gisela quer este livro é?
Conversa telefónica:
-Eu quero falar com uma senhora que marcou aqui uma reunião...Edite era o nome dela...
-Ah não sei, não sei. Era a doutora?
-Não sei...só fiquei com o nome...
-Se calhar é a nossa doutora...
-Então mas o nome dessa doutora é Edite?
-Ah, menina, não sei o nome dela...ela quer que a gente a trate por doutora e eu trato. Agora o nome não faço ideia
Num estágio:
A sra da limpeza (que ganhava 600 euros):
- Então a doutora está agora aqui é?
A estagiária (que ganhava 0 euros)
-Pois, mas não me trate por doutora, estou aqui a fazer estágio não remunerado.
-É doutora é, é uma questão de respeito! Então a doutora está a trabalhar de graça, é isso?
Ouvido de passagem:
- Então a menina dra. gisela quer este livro é?
Conversa telefónica:
-Eu quero falar com uma senhora que marcou aqui uma reunião...Edite era o nome dela...
-Ah não sei, não sei. Era a doutora?
-Não sei...só fiquei com o nome...
-Se calhar é a nossa doutora...
-Então mas o nome dessa doutora é Edite?
-Ah, menina, não sei o nome dela...ela quer que a gente a trate por doutora e eu trato. Agora o nome não faço ideia
Num estágio:
A sra da limpeza (que ganhava 600 euros):
- Então a doutora está agora aqui é?
A estagiária (que ganhava 0 euros)
-Pois, mas não me trate por doutora, estou aqui a fazer estágio não remunerado.
-É doutora é, é uma questão de respeito! Então a doutora está a trabalhar de graça, é isso?
2/21/2009
Made in Xangai
A Marta foi para a China (para o efeito não é importante saberem quem é a Marta). E como foi para a China e TODOS queremos saber como é estar na China pela primeira vez (pelo menos eu quero) a Marta tem um blog para contar tudo... É uma espécie de Gonçalo Cadilhe, mas não lhe pagam para escrever. Voltando só um bocadinho atrás, a Marta não tem um blog, tem dois. Isto porque o primeiro foi censurado... estava alojado no wordpress, domínio, obviamente censurado na China (já estávamos à espera disso, já tínhamos comentado). E agora a Marta tem outro blog. Se quiserem ver, cliquem no título e.... boa viagem.
2/19/2009
2/15/2009
Crise
Já viram a quantidade de livros que se escreveram recentemente graças à crise? Como sobreviver à crise, ultrapasse a crise e coiso e tal. E os mails... recebi recentemente um que anunciava que o autor já tinha previsto, profeticamente, que a crise iria acontecer!! Uma crise provocada pela ganância do homem que só pensa em comprar, comprar, pedir empréstimos sem pensar nas consequências. E, como o autor é um profeta, uma pessoa do bem, dava a possibilidade de comprar o seu livro... pela módica quantia de 50 € por mês, com uma taxa de juro atractiva!
Parece que a melhor forma de sobreviver à crise é ... escrever um livro sobre como sobreviver à crise.
Parece que a melhor forma de sobreviver à crise é ... escrever um livro sobre como sobreviver à crise.
2/07/2009
A vida nos carris
É Fevereiro novamente. Este mês incomoda-me. Passou um ano. Não fui por aí conhecer sítios. Não perdi a cabeça. Que tédio. Porque é que isto me inquieta tanto? Este tédio, este passar de tempo. Lembro-me da última vez que fui à Eurodisney. Andávamos a decidir quem é que ia para onde, para que diversões íamos e reparei que havia uma pista com carros. Parecia mesmo karting: os carros de karting, a pista aparentemente lisa e grande... e concordei ficar ali com os mais novos enquanto os mais velhos iam à montanha-russa do Indiana Jones. Lá fui, sempre gostei de conduzir. Quando finalmente entrei, reparei que afinal os carros tinham aquela pista toda mas havia uns mini carris que, apesar de criada a ilusão de que conduzíamos os carros nas curvas e contra curvas, nos impediam de sair da estrada. Na verdade éramos completamente guiados. Um plano que alguém definiu para aquela viagem. Uma decisão mórbida de nos fazer acreditar que controlávamos e podíamos andar por ali à vontade. Mas afinal havia carris... disfarçados, mas havia. Não decidíamos nada.
1/17/2009
Aviões
Tenho medo de andar de avião. Já andei várias vezes e continuo a ter medo. Aliás, tenho cada vez mais medo, isto com a idade piora. A última vez, em que fiz duas viagens de ida e duas de vinda, por causa da escala, houve problemas em três das viagens, desde o avião avariar nitidamente na descolagem até o andarmos a dar voltas a mais para aterrar. Numa delas entrei em pânico, tal como o senhor musculado e tatuado, com ar de Rambo, que ia à minha frente. Acho que vê-lo tremer de medo me deixou pior ainda. Julgo que isto se deve ao facto de não ter controlo e não conhecer as pessoas que me "conduzem". Não posso controlar a eficiência deles. Nem dos outros. Evito viajar de avião mas sempre pensei que quando voltasse andar tinha-me que me convencer que podia confiar nos pilotos e que mesmo havendo problemas eles resolveriam tudo. Nunca imaginei os pilotos em si, mas agora imagino. Uma das formas de tentar ultrapassar o meu medo é ver situações de acidentes em que há sobreviventes porque me deixa pensar que mesmo nos piores momentos nem tudo está perdido. Pelo menos com o piloto deste avião ao comando. É de facto um herói. Para mim é um herói. E devolveu-me parte da coragem... pelo menos até o comentador da sic para esta notícia, piloto e consultor de segurança aérea ter dito que os pilotos portugueses não praticavam muito a amaragem. Porquê?????
11/28/2008
A propósito de capitalismo
Conta-se esta história acerca de uma missão do Banco Mundial que se deslocou a Madagáscar para analisar o uso dos recursos piscatórios:
Um dos peritos que integrava a missão observava diariamente um pescador local. O pescador todos os dias pegava na cana, dirigia-se ao mar e pescava um peixe. Depois de pescado o primeiro peixe voltava para casa, grelhava-o, comia-o e durante o resto do dia descansava e aproveitava o sol. Certo dia o perito dirigiu-se ao pescador e comentou o facto de ele pescar um único peixe por dia, explicando que, ao invés de pescar apenas um, podia pescar mais durante o resto do dia. Como só comia um, o excedente do peixe podia ser vendido. O pescador perguntou, então, para que queria ele pescar mais peixe e vendê-lo. O perito disse que com esse dinheiro podia comprar uma rede e com essa rede, no mesmo tempo podia pescar muito mais peixe e vendê-lo para comprar um barco. Com o barco pescava ainda mais peixe e podia comprar um motor para o barco, e por aí fora, seguindo sempre esta lógica do excedente. O pescador, depois de o ouvir perguntou então para que precisava ele daquilo tudo e o perito respondeu-lhe que era para que quando fosse velho pudesse finalmente descansar à sombra dos proveitos que havia auferido. Responde magistralmente o pescador: mas isso é o que eu faço agora todos os dias.
Não me parece ser preciso dizer a moral da história.
Um dos peritos que integrava a missão observava diariamente um pescador local. O pescador todos os dias pegava na cana, dirigia-se ao mar e pescava um peixe. Depois de pescado o primeiro peixe voltava para casa, grelhava-o, comia-o e durante o resto do dia descansava e aproveitava o sol. Certo dia o perito dirigiu-se ao pescador e comentou o facto de ele pescar um único peixe por dia, explicando que, ao invés de pescar apenas um, podia pescar mais durante o resto do dia. Como só comia um, o excedente do peixe podia ser vendido. O pescador perguntou, então, para que queria ele pescar mais peixe e vendê-lo. O perito disse que com esse dinheiro podia comprar uma rede e com essa rede, no mesmo tempo podia pescar muito mais peixe e vendê-lo para comprar um barco. Com o barco pescava ainda mais peixe e podia comprar um motor para o barco, e por aí fora, seguindo sempre esta lógica do excedente. O pescador, depois de o ouvir perguntou então para que precisava ele daquilo tudo e o perito respondeu-lhe que era para que quando fosse velho pudesse finalmente descansar à sombra dos proveitos que havia auferido. Responde magistralmente o pescador: mas isso é o que eu faço agora todos os dias.
Não me parece ser preciso dizer a moral da história.
11/11/2008
desabafo
Oscilo entre uma insatisfação crónica na minha vida e uma falta de ambição que não percebo. Tudo está aquém do que deveria estar. Tudo. E nem sequer queria que estivesse tão alto. Boring...A culpa é minha. Preciso de acordar.
11/02/2008
Hoje, no Público
25.10.2008 - 17h17 David Marçal
Sabia que há cientistas que ganham 745 euros? Que não têm direito a subsídio de desemprego, férias, Natal ou alimentação? Que não são aumentados há seis anos? Está naturalmente curioso de saber em que país, mas estou certo de que já adivinhou.São os bolseiros de investigação científica! Uma designação infeliz para os jovens (e menos jovens) investigadores, pois classifica-os pelo tipo de regime contratual com que exercem funções, secundarizando a natureza da actividade (investigação). Faz tanto sentido como descrever um juiz como um "assalariado da justiça".
Os bolseiros podem-se distinguir segundo o tipo de bolsa que têm. Os BIC (bolsa de investigação científica) são licenciados e, independentemente da sua experiência ou competências, ganham 745 euros. Os BD (bolsa de doutoramento) têm em geral um excelente percurso académico e científico (não é fácil ganhar a bolsa!), são investigadores experientes e motivados, ganham 980 euros. O mesmo valor desde 2002, o que representa face à inflação acumulada uma perda de 18 por cento do poder de compra.
Pode-se argumentar que os bolseiros "estão em formação" e que "já é uma sorte estarem a ser pagos". Mas trata-se de adultos (uma licenciatura não se acaba antes dos 22-23 anos) com contas para pagar e legítimo direito à emancipação (ou um cientista tem que viver em casa dos pais?). E quanto à formação, creio que qualquer bom profissional está sempre em formação. Todas as carreiras têm fases e o doutoramento é apenas uma fase da carreira de um cientista.
Os bolseiros têm direito ao chamado "seguro social voluntário" - que é uma espécie de não sei o quê. Basicamente, a entidade que concede a bolsa paga contribuições para a Segurança Social, equivalentes ao salário mínimo. Este é o regime pelo qual estão abrangidas as pessoas que não têm rendimentos. Por que raio enfiaram os jovens investigadores aqui? Fazendo o Governo gala de integrar todas as classes profissionais no regime geral de Segurança Social, que coerência tem não incluir os bolseiros? Esta reivindicação tem sido sucessivamente negada pela tutela. Para que não haja dúvidas: os jovens investigadores querem ser integrados num regime de Segurança Social que outros grupos profissionais não querem porque acham que é mau!
Penso que é necessário criar a percepção social deste problema e da necessidade de evolução, começando pelos próprios investigadores e professores do quadro que trabalham com bolseiros que beneficiam do seu trabalho, com quem publicam artigos e escrevem patentes. Creio que seria de todo justo e adequado que os cientistas e investigadores estabelecidos tomassem pública e politicamente o partido dos jovens investigadores. A alternativa é continuar o choradinho da fuga de cérebros. Não há fuga de cérebros. Há expulsão de cérebros. Se não fazem falta, isso é outra história. Mas sendo assim, digam.
*Investigador em bioquímica. Bolseiro durante seis anos"
10/09/2008
Revoltem-se!
Professores de Portugal, revoltem-se!! Tornem-se pastores!!
Ser pastor é bem melhor!
Mostrem ao governo que preferem
estar à mercê do clima e das ervas dos pastos,
do que das leis deles!
Mostrem aos pais que não sabem dar educação aos filhos
que preferem aturar um rebanho de cabras
do que aturar os seus rebentos mal-educados!
Mostrem que uma cabra ou uma ovelha
que não sabendo o que é castigo
sabem o que é obediência!
O pastor sempre tem um cão para pôr o rebanho na ordem!
Não vos soa bem? Professores?
Pensem no ar puro e limpo!
No silêncio à volta!
Mesmo o berrar das cabras é menos traumatizante
do que os berros e guinchos de 20 crianças sem noção de respeito.
Sejam pastores! Tornem-se todos pastores!
Não há melhor revolta!
Acabam-se as baixas psiquiátricas!
As burocracias!
Acaso há algum relatório a preencher quando se põe a cabra de novo no rebanho?
Acaso têm que pedir desculpa à cabra?
E esta, ri-se de vocês?
Ou diz-vos que os papás vão à serra ralhar com vocês?
Não vos soa bem, professores?
Tornem-se pastores!
Ser pastor é bem melhor!
Mostrem ao governo que preferem
estar à mercê do clima e das ervas dos pastos,
do que das leis deles!
Mostrem aos pais que não sabem dar educação aos filhos
que preferem aturar um rebanho de cabras
do que aturar os seus rebentos mal-educados!
Mostrem que uma cabra ou uma ovelha
que não sabendo o que é castigo
sabem o que é obediência!
O pastor sempre tem um cão para pôr o rebanho na ordem!
Não vos soa bem? Professores?
Pensem no ar puro e limpo!
No silêncio à volta!
Mesmo o berrar das cabras é menos traumatizante
do que os berros e guinchos de 20 crianças sem noção de respeito.
Sejam pastores! Tornem-se todos pastores!
Não há melhor revolta!
Acabam-se as baixas psiquiátricas!
As burocracias!
Acaso há algum relatório a preencher quando se põe a cabra de novo no rebanho?
Acaso têm que pedir desculpa à cabra?
E esta, ri-se de vocês?
Ou diz-vos que os papás vão à serra ralhar com vocês?
Não vos soa bem, professores?
Tornem-se pastores!
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