2/16/2010

Ainda sobre o Carnaval

Recuso que o ter que trabalhar aos feriados (como o Carnaval) me estrague a noite anterior. Ou seja, a ideia é sair à mesma... senão sou prejudicada de duas maneiras. Não me divirto no dia porque tenho que trabalhar e não me divirto na noite porque não posso descansar na manhã seguinte, porque tenho que ir trabalhar. Recuso-me a isso, e saio à mesma e deito-me tarde... e depois tenho sono...muito sono...e no dia seguinte às oito da manhã apetece-me bater em mim mesma por ter teorias estúpidas...

Dúvida

Será que os brasileiros que estão a passar férias em Portugal nesta altura, no Carnaval, portanto, querem ir aos cortejos e fazer coisas de Carnaval aqui?

2/14/2010

O Pântano

Não vos parece um bocado mal que no meio disto o sucateiro de Aveiro seja o único que a ir parar à prisão? Tanto fumo e o único que se intoxica é o mexilhão. Já dizia o outro: quando roubares rouba em grande, que nada te acontece. Todo o fogo de artifício que querem fazer em volta do Primeiro Ministro não apaga o essencial: o péssimo carácter que revelou naquelas conversas. É isto que me representa? É esta pessoa que defende os meus interesses?

E aquele ex-accionista da Universidade Independente, muito falado recentemente por ter sido detido com um cheque falso de 25 milhões de euros e que é tão pobre, tão pobre que não paga custas judiciais? Ok, é a lei. A lei baseia-se apenas na declaração de rendimentos e este senhor não tem rendimentos nem tem nada em seu nome, vive da ajuda de amigos e familiares. A lei não vai ver que doou aos filhos menores um apartamento na Lapa avaliado em 1 milhão de euros, onde, aliás, habita. O que de facto me irrita nisto é que o complemento solidário para idosos foi um flop porque exigia que os idosos (com as suas reformas miseráveis de 200 euros) apresentassem uma declaração de rendimentos dos filhos (quando muitas vezes nem se falam) para provar que estes não os podiam ajudar e então, só se os filhos tivessem poucos rendimentos é que podiam receber a esmola. Isto é totalmente incoerente. Então e nestes casos não se vai ver os rendimentos dos filhos MENORES, ainda por cima?

Traga-se outro país, que este já não serve.

1/31/2010

Baixa de Coimbra

Uma das poucas coisas que gosto em trabalhar ao fim-de-semana é passar na Baixa de Coimbra ao Sábado ou Domingo de manhã. É uma volta que não dispenso, mesmo acabando ser um caminho mais longo... Ao contrário do que acontece durante a semana, ao fim de semana está tudo mais calmo e podemos apreciar os passeios e as pessoas. Gosto principalmente ao Domingo quando parece que toda a gente está noutro sítio a descansar e ali ficaram apenas as pessoas que ninguém quis. Uns quantos velhos a passear, uns quantos sem-abrigo, uns quantos turistas de mochila... Ninguém parece dirigir-se a nenhum sítio em particular, estão simplesmente por lá.

1/27/2010

Gatos...

O meu gato, rafeiro de nascença e habitante das ruas perigosas daqui da aldeia descobriu .........o sofá! E melhor, o sofá virado para a lareira acesa! E pronto...agora é vê-lo todo doido a correr porta adentro, com uma energia que nunca teve, a lançar-se para cima das almofadas para então.... deitar-se e dormir. Ainda bem que há gatos.

1/26/2010

Tudo mal

É incrível como às vezes tudo corre mal. Tudo corre tão mal que a certa altura já deixamos ir, como se nada houvesse mais a perder. Que mês tão longo, este de Janeiro. Eu sabia que não ia ser bom.

1/24/2010

A profissão mais útil

Num breve estudo estatístico (com base numa amostra que consiste em: eu e o meu colega) concluí que o trabalho mais útil a nível de conteúdos aprendidos é: ser talhante! Saber cortar a carne, separar por costeletas, febras, lombo, etc... é complicado. Saber quais as melhores partes para assar, para grelhar ou para cozer é muito útil!

1/23/2010

A Trilogia do Cairo, por Naguib Mahfuz


Já falei aqui desta trilogia quando li o primeiro volume: "Entre Dois Palácios". Agora que já li o segundo "O Palácio do Desejo" e "O Açucareiro" posso afirmar, como de resto, já quase todos os críticos afirmaram, que esta é uma obra genial de Naguib Mahfuz. Ao longo dos três livros é contada a história de uma família do Cairo, desde o início dos anos 20 até final dos anos 30. Ao contar a história desta família, o autor acaba por descrever todo aquele ambiente que se viveu no Egipto durante este período, a presença inglesa, as mudanças políticas, os vários acordos com os ingleses e mesmo a relação com Hitler, inimigo dos seus inimigos. O que acho fantástico nestes livros é que é simplesmente o contar da história de uma família, como todas as famílias, com as coisas boas e más. É uma história simples e magnífica! A forma como ele escreve consegue envolver-nos de tal forma que na verdade nem nos apercebemos desse "ser só isso". Aconselho vivamente, a quem gostar de ler.

1/10/2010

Dubai: Inglesa violada acaba detida por sexo ilegal

O Dubai é um paraíso falso. Como dizia uma brasileira que lá trabalhou "no Dubai tudo é falso, até as palmeiras". Isto seria cómico se não fosse preocupante. Bom, mais turistas sobram para o Algarve...

1/09/2010

Velhos

Gosto de velhos, e não pensem que é uma ofensa chamar velhos, porque não é. Maior parte dos velhos que conheço são pessoas sábias, tolerantes e mais bem educadas do que a maior parte das pessoas com 30 ou 40 anos com quem me cruzo no dia a dia. Claro que há os rezingões, os arrogantes, os que acham que por serem velhos têm direito a pedir para eu me levantar no autocarro para eles se sentarem (eles que são reformados e não fazem nada vs. eu que trabalho muito e estou muito cansada), mas mesmo esses eu gosto de observar. O Miguel Esteves Cardoso tem um texto, em "As minhas aventuras na República Portuguesa" muito elucidativo acerca do que é ser velho. Os velhos podem dizer tudo o que lhes apetece, podem dançar a dança da chuva enquanto tentamos falar com eles, já adquiriram esse direito e com um bocado de sorte são considerados simplesmente doidos. Ele fala de um velho que lhe pôs a língua de fora, e começou a dizer coisas sem sentido, e porquê? Porque pode. Só isso. Maior parte das sociedades e religiões orientais cuida bem dos velhos e dão-lhes muito mais valor. Ser velho é um posto. A nossa sociedade não, limita-se a mimar as crianças além do saudável, enquanto despeja os pais, velhos, num lar. Assisto a cada cena. Um dia destes assisti, com pessoas que conheço de vista, à seguinte situação: entrou no café um casal, de cerca de 30 anos e a filha de 5, acompanhados da avó da menina, com cerca de 55 e a bisavó da menina, já com perto de 90 anos. A menina, coitada, mimada e estúpida que nem uma porta, não queria olhar para a bisavó porque ela era velha e feia. Então os pais pediram à avó da miúda para mandar a velhota ir sentar-se noutra mesa, para não incomodar a menina! A velhota não teve muita hipótese, até porque ou ia ou eles mudavam todos de mesa. Depois da velha se mudar então a menina já pôde comer o seu gelado em paz. Bom o que eu espero é que esta menina e respectivos pais, e avó, quando forem velhos, sejam atirados de um precipício, para não incomodarem os outros, novos, com a visão horrenda que é ver um velho. Isto para dizer que hoje em dia estamos tão concentrados a ganhar dinheiro para encher as nossas crianças de porcarias que na verdade elas não precisam para nada que nos esquecemos deste valor imenso da sociedade: os velhos.

12/17/2009

A morte segundo Alberto Pimenta

artur hipólito morreu com 62 an
os, 20 anos após ter feito 42, mas
na altura quem diria?

heitor fragoso morreu atropelado.
foi levado para o hospital, mas es
queceram-se duma parte do corpo
no local do acidente.

manuel testa morreu sem se ter c
onseguido habituar a este modo
de mal-estar no mundo.

arnaldo rodrigues caiu a um bur
aco da canalização e nunca mais
foi visto.

jeremias cabral pôs termo à exist
ência por motivos desconhecidos.
zeca gomes morreu em defesa da
pátria mas a pensar noutra coisa.

antónio de oliveira morreu igual
a si mesmo: triste sinal dos te
mpos!

bernardo leite pôs-se a pensar na
morte e não conseguiu voltar a
trás.

ivo gouveia tinha uma agência f
unerária e escolheu para si um
caixão representativo.

guilherme silva fechou-se no sót
ão, para morrer num lugar eleva
do.

luís dimas respirava saúde, agora
respira um hálito de eternidade.

antónio garcia, o coveiro, teve u
ma síncope e caiu dentro da cov
a que estava a abrir.

bento nogueira engasgou-se com
um pedaço de carne e desapare
ceu do nosso convívio.

paiva de jesus enforcou-se.
joão baptista viu o cunhado lev
antar-se do caixão e teve uma sí
ncope.

lourenço pinheiro estava a ver a
trovoada e um relâmpago entrou
lhe por um olho e saiu-lhe pelo
outro.

jorge velez de castro finou-se
após uma longa vida de sacrifí
cios, toda dedicada ao bem-comu
m. e foi assim: depois de ter inge
rido o seu sumo de laranja, foi c
onduzido para a cadeira de rep
ouso pelo enfermeiro de confian
ça. nela se conservou, de boca en
treaberta e olhos fechados, até
às onze horas. às onze horas, o e
nfermeiro de confiança aproxim
ou-se com a intenção de o condu
zir ao banho. pondo delicadamen
te a mão nas costas da cadeira,
disse: são horas do banho, senhor
director. como este não desse si
nal de ter ouvido, o enfermeiro
de confiança, com a costumada jo
vialidade, debruçou-se e repetiu:
são horas do banho, senhor direc
tor. posto isto, empurrou a cadei
ra até ao balneário, passou um br
aço pelos rins outro por baixo d
os joelhos do director, e assim o
levou para a água, só então se da
ndo conta de que ele já não vivia.

zé maria, o peidolas, foi expulso
da vida pela autoridade compet
ente.

joão gaspar foi um nobre e val
oroso homem que morreu heroi
camente no campo da honra. p
az à sua alma.

raul santos deitou-se um dia e p
or mais que o sacudissem nunca
mais se levantou.

alfredo penha caiu tão desastrada
mente da cama que nem é possív
el dar pormenores da sua morte.

joaquim perestrelo morreu no me
io da missa, qual quê! ainda a m
issa não ia a metade!

sousa dias morreu de pé, mas en
terraram-no deitado, como toda a
gente.

12/03/2009

Deep, deep thought


And it seems to you the thing to do would be to isolate the winner
And everything's done under the sun,
And you believe at heart, everyone's a killer.

Parte de DOGS, Pink Floyd

12/01/2009

Medo do Islão


Quem tem a porta aberta fica sempre mais vulnerável. Não me parece que este seja um resultado exclusivo deste país. Os europeus têm medo. E não estão a ser extremistas ou racistas com esta posição. Mais do que um sinal de discriminação religiosa parece-me que os europeus estão a tentar defender a sua liberdade. As duas coisas confundem-se um bocado, é certo. Mas é isso mesmo. No caso da Suiça há também outros sinais de fecho a outros povos como as alterações no processo de pedido de nacionalidade, que se tornou bastante mais difícil. Mas toda a Europa tem medo do Islão e dos seus símbolos. A verdade é que o que nós, ocidentais, absorvemos é que abrir mais a porta ao Islão é abrir caminho ao terrorismo que, esse sim, vem ameaçar todas as nossas liberdades. Mas será que estas posições vão incitar mais ao ódio fundamentalista? E os muçulmanos não radicais, onde ficam no meio disto tudo?

11/14/2009

Onde estava você quando o Muro caiu?

Lembro-me da queda do muro de Berlim. Tinha 8 anos nessa altura mas mesmo assim lembro-me de achar fantástico, apesar de não perceber bem toda a situação. Havia no entanto algumas coisas que me faziam confusão. Por exemplo, porque é que era a parte do Leste, supostamente, a parte má, que se chamava Democrática? Então "democrática" não era uma coisa boa? Isto fazia-me grande confusão. Outra coisa era o facto de ter um muro a dividir Berlim... então as pessoas não podiam ir contornar o Muro onde este acabava? Parecia simples... O que me fascina bastante na história do Muro de Berlim são as fugas fantásticas que aconteceram. Para a história fica o homem que construíu um túnel entre as duas Alemanhas para ajudar dezenas de pessoas a fugir. Ou aqueles irmãos, que num ultra-leve improvisado, planaram até ao lado Leste para ir buscar um terceiro irmão. Fica, infelizmente a história do rapaz de 19 anos que foi alvejado a tentar passar para o lado de lá o muro. Como ambas as partes tinham medo dos soldados da outra parte, foi deixado ali. Sangrou até à morte enquanto perguntava : "Porque é que ninguém me ajuda?"

11/05/2009

Portugal, Portugal

Uma pessoa até acorda bem disposta, apesar de ser cedo e até ouve uns programas engraçados na rádio e, até consegue arranjar um estacionamento por sorte, era o único, ao pé do trabalho. Depois começa a estacionar e vê que no edifício ao lado um anormal qualquer parou de trabalhar na obra para se ir pôr encostado à vedação, a um metro de nós, de braços cruzados, a olhar para nós e a rir enquanto estacionamos (bem, e à primeira, note-se...), com o perfeito ar de atrasado mental . Francamente...

10/31/2009

Pensamentos

E depois há aqueles momentos em que ficamos pequenos, pequenos e só queremos estar sozinhos e quietos, quiçá a ler um livro que nos leva para lá. Ontem estive no Egipto, década de 20, que bom, estar lá com aquelas famílias, a viver os mesmos sentimentos anti-ingleses. Que bom esquecer tudo e ser só aquelas pessoas todas. É assim com os livros bons. Só queria estar aí. Porque tudo é tão vulgar que só os livros nos salvam. Todos iguais. Tudo igual. O meu filho é muito desenvolvido. Dizem os pais, quão vulgares são todos. Todos dizem que canto bem. Pois sim, lá no karaoke da aldeia, não é? Ah, meu deus. Tanta oportunidade passada, devia ter ido ver o mundo, mas falta-me a coragem, com o tempo será pior. Mais presos estamos. Parece-me sempre tarde demais até perceber que agora sim é tarde demais e que há um tempo atrás não era tarde demais, até voltar daqui a um tempo, a perceber a mesma coisa. Que prisão que sinto. Ainda bem que há livros.

10/23/2009

All the lonely people

Ah, look at all the lonely people
Ah, look at all the lonely people

Eleanor rigby picks up the rice in the church where a wedding has been
Lives in a dream
Waits at the window, wearing the face that she keeps in a jar by the door
Who is it for?

All the lonely people
Where do they all come from ?
All the lonely people
Where do they all belong ?

Father mckenzie writing the words of a sermon that no one will hear
No one comes near.
Look at him working. darning his socks in the night when there's nobody there
What does he care?

All the lonely people
Where do they all come from?
All the lonely people
Where do they all belong?

Eleanor rigby died in the church and was buried along with her name
Nobody came
Father mckenzie wiping the dirt from his hands as he walks from the grave
No one was saved

All the lonely people
Where do they all come from?
All the lonely people
Where do they all belong?




O que é que nos prende às cidades? As pessoas? Os sonhos e ambições? A cidade em si? E sem sonhos e ambições e sem pessoas. Que cidade consegue a vocação de prender alguém sem lhe dar em troca apenas solidão?

10/10/2009

MacGyver

Ontem vi o episódio piloto desta série... Que saudades. Logo me transportou para aqueles Domingos de Outono, ao final de uma tarde em que já era noite, chuva e cheiro a terra molhada, para o café do Cilo (o antigo...), cheio de pessoas acabadas de chegar dos jogos de futebol da 3ª divisão distrital...

9/26/2009

Curiosidades

Os sítio escolhidos pelas prostitutas da nacional 1, que lá trabalham durante a semana, são exactamente os mesmos que as famílias, ao fim-de-semana, escolhem para parar e fazer o lanchinho do passeio.

Já repararam que para os adolescentes tudo evolui (desde as tecnologias, até à hora de chegar a casa), menos os tratamentos anti-acne, que continuam a Não dar resultado?

9/06/2009

Bússula eleitoral

Clicando no título serão direccionados para a Bússula eleitoral, um programa de perguntas e respostas, alojado no site da SIC, que analisa a vossa orientação política e os partidos com os quais se identificam mais e menos, dada a vossa opinião sobre vários temas. A minha localização no mapa foi dar a uma tal de direita (muito centrista) libertária, na qual habita um partido intitulado PDA. É interessante experimentar.

"Como enriquecer em três passos"

Na última voltinha que dei por uma livraria reparei na proliferação de livros sobre como enriquecer, como sair da crise, como evitar que a crise o afecte ou como ganhar o seu primeiro milhão... Estes livros de auto-ajuda sempre existiram mas parece-me que a crise ajudou à sua divulgação, ou pelo menos a dar-lhes lugar de destaque nas livrarias. O que me leva a uma conclusão... será que são os jornalistas, que tanto falam na crise, que tanto proclamam os maus tempos que aí virão, os autores destes mesmos livros?? É uma espécie de: "ah e tal, a crise, vai ser grave, as perspectivas são péssimas, a pobreza, o desemprego, tenham medo..." e depois, logo a seguir, toca de escrever livros numa de "ah e tal, mas eu tenho a solução para si, só para si, e vou revelá-la. Você não tem que ter medo da crise porque com este guia pode enriquecer em três tempos... O importante é saber poupar e saber investir. Poupe uns módicos 16,25 € e invista aqui neste belo livro". Se não se falasse tanto na crise estes livros não tinham tanta saída, não era?... Também acho piada aos conselhos escritos nestas páginas plenas de sabedoria:

- Controle o seu dinheiro ... pois, bem, os meus avós já faziam isso muito bem e nem sabiam ler...
- Mesmo que ganhe pouco poupe sempre qualquer coisa.. "controle os seus cêntimos, que os euros saberão de si"... É claro que esta gente não faz ideia do que é "ganhar pouco" em Portugal. Isto parece-me ser uma estratégia camuflada do patronato para conter a revolta social causada pelos míseros ordenados que a maior parte paga aos empregados. Não se revolte por ganhar pouco porque mesmo assim, segundo a nossa suprema sabedoria, pode enriquecer. Não me façam rir...
-Evite gastos supérfluos... bom, se comer for considerado um gasto supérfluo...
-Veja aqui a lista de produtos financeiros em que é seguro investir... nesta parte eu remeto para o segundo ponto. Investir o quê, mesmo?
- Saiba como poupar na água, na luz e no gás (nesta secção, havia uma série de dicas, como comprar aquelas lâmpadas caríssimas que duram muito mais tempo, desligar as luzes quando não são precisas (!!!), fechar a torneira enquanto lavamos os dentes, entre outras coisas de educação básica). Mais uma vez posso afirmar que até os meus avós já faziam isso e não precisaram de nenhum livro para lhes ensinar.

O conselho mais honesto que estes livros poderiam dar cabia em uma página (e poupava-se papel):

Passo 1: escreva um livro de auto-ajuda com balelas óbvias que não servem para nada
Passo 2: arranje uma editora que queira enriquecer também em três passos
Passo 3: venda-o a um monte de palermas, por cerca de 15,00 € cada um, que acham que assim vão enriquecer

E pronto, "como enriquecer (o autor, claro) em três passos". Não é a toa que estes livros são de "auto-ajuda" (auto, da parte do autor...)

9/05/2009

Gripe espanhola

A gripe espanhola ou gripe pneumónica, que teve início em 1918 atingiu cerca de 50 % da população mundial. Em Portugal matou cerca de 120 mil pessoas. Contam os antigos da minha terra que os avós deles a curavam principalmente com aguardente! Era de facto o único remédio que por ali havia na aldeia. Alguns morreram, outros curaram-se (não, não morreram de cirrose a seguir...). Conta-se que deu origem a grandes risadas dada a quantidade de álcool que foram ingerindo. O único jazigo existente no cemitério de lá foi feito para uma família inteira, (já tinha reparado nos caixões de adultos e de crianças), que sucumbiu à gripe pneumónica. Também o pintor Amadeo de Souza-Cardoso e os dois pastorinhos de Fátima morreram com esta doença.

8/22/2009



Todos precisamos de paixão. Não, não é de lamechice que estou a falar... é de paixão. De nos sentirmos arrebatadas. Nem tem nada a ver com romantismo. Esse é mais calmo. Tem a ver com emoção. É necessária. Recentemente lembrei-me novamente deste filme, o meu preferido enquanto adolescente (típico...). Para dizer a verdade lembrei-me porque passou esta música na rádio e fez-me lembrar dos longos suspiros a ver esta dança final...E fez-me lembrar do quanto é necessário sentir essa paixão, nem que seja por uma breve dança...

8/09/2009

Férias...

Vou de férias... Foi um ano muito cansativo. Com dois empregos e uma tese de mestrado para entregar nos prazos estabelecidos feita nos poucos tempos livres. Com uma folga de quinze em quinze dias. Já chega.... não aguentava muito mais.

Simplex + novas oportunidades

Depois de quase ter ficado retida no aeroporto de Marselha por ter o B.I. caducado há três dias, eis que, passado quase um mês dessa situação, decidi ir renová-lo, que é como quem diz, fazer o Cartão do Cidadão... aquela cena pidesca onde está TUDO sobre nós.... A última vez que fui renovar o B.I. a coisa até foi relativamente simples:

Cheguei ao balcão do registo civil (não estava ninguém na fila).
Disse que ia renovar o B.I..
Preenchi uma papelada.
Fui medida.
Demorou cerca de dez minutos.

Para ir buscá-lo o processo também foi simples:

Cheguei ao balcão do registo civil (não estava ninguém na fila).
Pedi o B.I. em causa.
A funcionária procurou e entregou-mo.

Demorou cerca de cinco minutos.

Agora lá fui eu, crente no SIMPLEX, acreditando que tudo era mais simples e mais rápido... Mas desta vez a coisa não foi tão simples:

Cheguei às dez da manhã e procurei uma senha para tirar para o objectivo em causa... não havia...

Não percebendo muito bem como é que a coisa se processava, perguntei a uma das vinte pessoas que se acumulavam naquele espaço se ela sabia qual o processo para fazer o Cartão do Cidadão... Lá me foi explicado que era preciso ir muito cedo para a fila...hmm.. fila? mas que fila? não se tira uma senha e pronto? Pois, parece que não... a própria fila é para tirar uma senha... e a senha é para quê? Pois... para se marcar uma hora para durante a tarde desse dia ir lá fazer o cartão... Então lá fiquei à espera de conseguir falar com a pessoa que estava atrás do balcão que me explicou que para esse dia já não havia marcações. Teria que voltar noutro dia...

(nota: parece que antes eles faziam marcações para os dias seguintes. Ia-se lá numa segunda-feira, por exemplo, ficava-se na fila de espera para a senha de espera para fazer a marcação para, tipo, quinta-feira.)

E pronto, duas semanas depois, com mais uma folga ao jeito para fazer isso (ainda bem que tenho folgas durante a semana porque quem não tem gasta dias de férias nisto), lá fui... Consegui marcação para tarde. E pronto... aqui até foi relativamente simples, uma vez conseguida a marcação. Fui chamada e lá fui olhar de frente para a máquina da verdade ... verdade porque ela não se engana na nossa altura (infelizmente para mim), sorri sem mostrar os dentes, olhei para cima como me mandaram e "Thcac" lá fiquei com cara de parva a cerrar os lábios enquanto olhava para cima (não sei se estão a imaginar...).




Mas...... foi preciso ir buscar o cartão.... Tenho que admitir que a carta para o ir buscar até foi rápida. Demorou cerca de uma semana. E lá fui, convicta de que seria rápido... Mas não!

Basicamente parece-me que há aqui um conflito de programas governamentais: com o simplex muita coisa foi informatizada para agilizar as coisas. "Informatizada" significa mais computadores e mais coisas... informáticas, portanto. E com as novas oportunidades muitas pessoas que nunca tinham mexido num computador (literalmente) ficaram com habilitações suficientes para que, estando inscrita no Centro de Emprego e a receber subsídio, o estado as fosse contratar para os serviços públicos quando necessário. O resultado é: mais computadores e mais pessoas que não percebem absolutamente nada de computadores. A consequência deste resultado? Três horas numa fila, que tinha, inicialmente, apenas 10 pessoas à minha frente!

Tentando entender o porquê da demora, aproximei-me para observar o processo e deparei-me com estas situações:

A senhora punha o cartão num ranhura, para que este fosse identificado, e ficava à espera que algo acontecesse... Quando via que nada acontecia movimentava o rato para trás e para a frente e de vez em quando clicava em algumas coisas. Nada acontecia... então tirava o cartão e inseria os números do cartão (em algum sítio, porque eu só a via pressionar os dígitos do teclado). Nada acontecia... finalmente pedia ajuda a alguém. Lá vinha alguém. Numa das vezes a resposta foi: "Isso não dá porque é preciso clicar no CONTINUAR" Senão não aparece o écran onde ENTÃO se põe o número". Depois havia a parte de procurar o CONTINUAR, conseguir colocar a seta do rato em cima do botão e então CLICAR. Isto repetia-se em várias fases do processo! E quando chegou a hora de almoço da funcionária, ela levantou-se, a meio do processo de entregar um cartão e disse: "Desculpe, mas chegou a minha hora de almoço, depois alguma das minhas colegas virá cá acabar de lhe entregar o cartão!". E foi o que nos valeu, ela ir almoçar. A funcionária seguinte, ágil e competente, despachou mais gente... Quando a primeira voltou do almoço, apesar dos protestos de quem lá estava a ver que a coisa ia abrandar outra vez, lá estivemos mais quinze minutos até a senhora perceber qual o programa, todo o conceito de inserir a password, o que é uma password....

E três horas depois lá consegui obter o meu cartão onde estou com cara de parva a olhar para cima!

8/08/2009

Colapso

Encontrei um viajante de uma terra antiga
Que me disse: "Duas imensas pernas de pedra sem tronco
Erguem-se no deserto. Perto delas, sobre a areia,
Jaz, meio enterrado, um rosto despedaçado, cujo olhar severo,
Boca franzida e esgar de frio comando,
Revelam que o escultor decifrou bem as paixões,
Que sobrevivem ainda, gravadas nestas coisas sem vida,
A mão que as arremedou e o coração que as alimentou:
E sobre o pedestal surgem estas palavras:
'O meu nome é Ozymandias, rei dos reis:
Olhai as minhas obras, ó Poderosos, e desesperai!'
Nada para além dele perdura. Em torno da ruína
Desse colossal destroço, ilimitadas e nuas
As ermas e suaves areias estendem-se na distância."

Ozymandias, por Percy Bysshe Shelley

7/26/2009

Agosto

Gosto do Verão, gosto dos emigrantes, gosto da agitação dos ça va's para aqui e je riggolle para ali, gosto da pasmaceira de estar na rua a falar com quem passa, gosto de almoçar sardinha com tomates e pimentos assados, gosto dos casamentos e baptizados e morrer de calor com o vestido da cerimónia, gosto de conhecer toda a gente na esplanada, gosto de me aperceber que de facto gosto disto, ao contrário do que pensei durante muito tempo, gosto de ver bebedeiras cómicas de pessoas carrancudas... só não gosto de trabalhar ao domingo...

Ouvido de passagem...

-Se fosse eu ao teu namorado tinha ficado chateado por não me dizeres para ir...
-Se o meu namorado fosse como tu, tinha-te dito para ir...

Lol

Um homem vai a uma vidente. Bate à porta.. knock knock..
- Quem é? - responde a bruxa.
- Mau, já está a começar mal..

Sobre os casamentos


Há qualquer coisa de emotivo, profundo e quase fatal nos casamentos. Enquanto adolescente não me emocionava absolutamente nada com casamentos, provavelmente fruto da frequência com que ia... uma média de 3 ou 4 casamentos por ano... Mas desde há algum tempo para cá não consigo deixar de evitar aquela sensação estranha de ser atingida por uma emoção meio indefinida. Foi desde um dos muitos casamentos a que assisti em que chorei pela primeira vez. Vá-se lá saber porquê... Mas não é emoção pela parte romântica, nem por querer casar, é mesmo porque me lembram como é inevitável o tempo passar. Ontem fui a um... e elas lá estavam... a noiva e as amigas, jovens, mais jovens do que eu, muitas casaram no último ano... felizes, recém-casadas no caminho inevitável e fatal da vida a caminhar para também elas serem mães de noivas felizes e jovens.... Ver a minha mãe e tantas da idade dela também juntas, como acontece nestas festas, alegremente a conversar fez-me perceber o quanto há de ancestral nesta coisa dos rituais que passam pela vida... Quase que conseguia vê-las também elas jovens, noivas e felizes, sem sentirem ainda que brevemente também ia ser assim. Gosto de rituais, gosto muito. Acho marcante... gosto que a vida seja assinalada por eles, são marcos. E a noiva a cantar, sem música, com as amigas à volta, os amigos do noivo a brindar a ela, a família, os amigos dos pais, os novos, os velhos, as crianças... a confusão... tudo isto quase parecia um filme que podia ser intemporal, passado mil vezes a preto e branco (só a cor ditaria a diferença) só com a voz da noiva como banda sonora....

7/04/2009

Abertura fácil


Já tentaram (presumo que sim, pelo menos quem usa a marca...) abrir a embalagem deste champô com as mãos molhadas e com espuma? É uma complicação. A bola saída deve ser para facilitar a abertura mas, como é redonda e macia, os dedos escorregam e escorregam. Só com as unhas (já parti uma a tentar). Para quem tem dedos pequenos como eu é ainda mais dfícil. Era só cortar a bola por baixo, na direcção da abertura e pronto, já se abria melhor! Normalmente acabo a bater com a embalagem de champôr num qualquer canto do chuveiro para aquilo se abrir.

6/30/2009

Verão na TV ... que bom, hã

Mais uma vez, como em todos os Verões a televisão dos pobres, aquela dos 4 canais, foi invadida por programas de Verão. Aqueles de apresentadoras de calça branca e top’s coloridos, assistência e convidados de mini-saia e vestidos vaporosos, filmados algures no Litoral português, "na sua terra", como eles dizem, e com muitos cantores pimba, alguns ainda a sacudir o mofo acumulado no Inverno. É engraçado ver, naqueles dias em que faz frio...(sim, porque não é por um programa se chamar Verão total que vai fazer calor, que o Verão não se compadece com locais de filmagem) os convidados e apresentadores cheios de frio, a tentar ter um ar de quem está a curtir muito o sol. Também tem que haver crianças, claro... e foi giro vê-las brincar e dançar na areia.... TODA MOLHADA, porque.. eh eh... choveu! Aliás, num dos canais a apresentadora de um tal Verão Total estava a entrevistar alguém com um chapéu de chuva! Enquanto a outra pessoa cruzava os braços e se tentava aquecer a ela própria...Cómico.

6/28/2009

Medo

Há uns tempos tentaram assaltar a casa onde vivo, em Coimbra. Eu estava a chegar a casa, e outras pessoas estavam já em casa quando partiram o vidro da portada, abriram a primeira porta e começaram a tentar abrir a segunda. Esta era mais difícil de abrir e o assaltante começou a dar pontapés violentos para entrar. Foi um susto enorme. Primeiro pela sensação de invasão e depois porque o assaltante sabia que estavam pessoas em casa, devia presumir que aquela barulheira toda, depois do vidro a partir e dos pontapés, iria acordá-las. Não sei se estava armado ou se estava só desesperado mas, nesse momento, em que tentámos afuguentá-lo só me apetecia parir-lhe a cara. Bater-lhe até ele chorar. Praguejei contra todas as leis que de alguma forma protegem estes criminosos. Ele acabou por fugir enquanto chamávamos a polícia. Claro que a polícia nada pôde fazer, até porque não o apanharam em flagrante. Na altura lembrei-me de que tinha visto alguém "suspeito" a rondar a casa durante toda a tarde e disse à polícia, a medo, porque isto de apontar dedos sem provas é um bocado chato. A descrição coincidia com um indivíduo referenciado noutros assaltos, principalmente o carro. A partir daí sempre que vejo essa pessoa tenho medo. Já o vi noutras situações suspeitas, e parado junto ao meu local de trabalho e tenho sempre medo. Posso estar completamente enganada, pode não ter tido nada a ver com o assalto, mas o medo ficou lá. É injusto isto do ter medo. Porque trabalho, porque sou honesta, porque tudo... porque não é justo eu ter medo de alguém sem eu ter culpa nenhuma. E não é justo que haja pessoas que defendem essas pessoas.

E pronto, tenho dito. Sou um bocado extremista nestas coisas. Quando o mal é feito deliberadamente, quando está provado, aí, não há defesa, não há sociedade culpada, há só escolhas.

6/27/2009

Espíritos livres

S. é aquilo a que chamo um espírito livre. Há pessoas assim. Conhecemos e vemos logo que são feitas de sonho e de vento e estão aqui para voar. E quando não voam definham. E não são felizes, porque só amor não lhes basta. E, às vezes, até decidem não ouvir o vento que as chama e ficam. E tentam. E às vezes até conseguem quando apanham a brisa e a trancam no quarto onde às vezes podem ir voar. Até as chamarem, porque só o vento também não basta.

Thriller

Cresci ao som disto... É um daqueles ícones com que sempre convivi e que agora desapareceu. Não sou fã porque, sinceramente, há pouca coisa da qual possa dizer que sou fã, mas tinha muitas vezes músicas do Michael Jackson na cabeça. Tive pena...

Thriller

It's close to midnight and something evil's lurking in the dark
Under the moonlight, you see a sight that almost stops your heart
You try to scream but terror takes the sound before you make it
You start to freeze as horror looks you right between the eyes
You're paralyzed

'Cause this is thriller, thriller night
And no one's gonna save you from the beast about strike
You know it's thriller, thriller night
You're fighting for your life inside a killer, thriller tonight

You hear the door slam and realize there's nowhere left to run
You feel the cold hand and wonder if you'll ever see the sun
You close your eyes and hope that this is just imagination, girl!
But all the while you hear the creature creeping up behind
You're out of time

'Cause this is thriller, thriller night
There ain't no second chance against the thing with forty eyes, girl
Thriller, thriller night
You're fighting for your life inside a killer, thriller tonight

Night creatures calling, the dead start to walk in their masquerade
There's no escaping the jaws of the alien this time
(They're open wide)
This is the end of your life

They're out to get you, there's demons closing in on every side
They will possess you unless you change that number on your dial
Now is the time for you and I to cuddle close together, yeah
All through the night I'll save you from the terror on the screen
I'll make you see

That this is thriller, thriller night
'Cause I can thrill you more than any ghost would ever dare try
Thriller, thriller night
So let me hold you tight and share a
Killer, diller, chiller, thriller here tonight

'Cause this is thriller, thriller night
Girl, I can thrill you more than any ghost would ever dare try
Thriller, thriller night
So let me hold you tight and share a killer, thriller, ow!

(I'm gonna thrill ya tonight)
Darkness falls across the land
The midnight hour is close at hand
Creatures crawl in search of blood
To terrorize y'alls neighborhood

I'm gonna thrill ya tonight, ooh baby
I'm gonna thrill ya tonight, oh darlin'
Thriller night, baby, ooh!

The foulest stench is in the air
The funk of forty thousand years
And grizzly ghouls from every tomb
Are closing in to seal your doom

And though you fight to stay alive
Your body starts to shiver
For no mere mortal can resist
The evil of the thriller


P.S. É engraçado como já começaram a aparecer aqueles rumores, ainda que timidamente, de que ele não morreu mesmo e é tudo um golpe publicitário. Será que os famosos não morrem? É sempre um golpe publicitário? Se calhar estão todos numa ilha, tipo Lost... agora que o Elvis deve estar mesmo muito velho, vai o M.J. assumir o comando...

As beiras

Já repararam que no site do jornal "As beiras" tem uma rubrica com os artigos de opinião com os colunistas do jornal e que são TODOS docentes da U.C.? Mas será que essa é a única profissão nesta cidade? É que... há outras profissões... há empresários (poucos, claro), há outras pessoas, que não sendo os senhores doutores professores exmo's da U.C. também contribuem para a cidade, se calhar até mais. Será política do jornal? Só ter colunistas que sejam docentes da U.C.? É que há mais na cidade... eu sei que pouco mais porque estas coisas abafam um bocado tudo o resto, mas há mais...
Há pouco tempo encontrei uma família que veio visitar a Universidade de Coimbra porque o filho estava indeciso entre concorrer para Coimbra ou para o Porto. E dizia o pai: "sabe, menina, só viemos cá por mera curiosidade, porque o que todos sabemos, lá no Alentejo, é que esta universidade já não vale nada, é só um monte de senhores doutores que de tanto olhar para o umbigo se esqueceu que tinha que evoluir..." O rapaz, com média de 19 a querer entrar em Arquitectura acabou por decidir que vai concorrer para o Porto.

6/25/2009

Telemóveis

Porque é que as pessoas atendem os telemóveis só para dizer "Olhe, desculpe, agora não posso atender..." ...................... Então porque raio atendeu e me fez gastar dinheiro??

Porque é que há pessoas que atendem o telemóvel no carro, não baixam o rádio e estão a gritar "Fale mais alto que não estou a conseguir ouvir bem".................. porque não baixar o rádio??

6/20/2009

Rescaldo...


E agora? Já não temos "direito" ao TGV? Sempre achei este cartaz ridículo.. "direito"... por favor. E o meu direito a ter uma lancha rápida no rio Mondego? Bom, se calhar perderam porque foram atrás dos votos daqueles que acham que ter um TGV é um direito deles e que acham que vão andar um dia nesse TGV... com votos desses qualquer um perde. Agora com este adiamento daquilo a que temos direito não podia deixar de apontar aqui...

6/18/2009

A propósito do Destino

Conta-se que um dia a Morte se aproximou de um homem e lhe segredou ao ouvido: "prepara-te, homem, amanhã, ao final do dia venho-te buscar". O homem, em pânico com tal revelação, pôs-se a pensar em como se iria livrar da Morte. Analisou todas as hipóteses de morrer: seria de acidente de carro, a vir do trabalho? Seria uma bala perdida? Seria atropelado? Seria de ataque cardíaco? Como ainda tinha um dia resolveu tentar fugir para o mais longe possível da morte. Apanhou um avião para o outro lado do mundo. Ao chegar apanhou um comboio, depois um autocarro, um taxi e, finalmente caminhou até ao cimo da montanha mais alta, o mais longe possível da sua terra e da Morte... Ao chegar ao cimo da montanha, respirando de alívio eis que avista alguém que se aproxima. A Morte caminhava para ele e, olhando para o relógio, disse: "Bom, estava a ver que não chegavas a tempo ao encontro marcado..."

6/03/2009

Por estes dias de campanhas II

Parece que o POUS defende a proibição dos despedimentos para resolver o problema do.... desemprego, claro.

Pois eu proponho que se proiba também as empresas de falirem e que se proiba as empresas de terem prejuízo e que se proiba...hhmmm... o crime. É proibido mas não faz mal vamos proibir outra vez.

5/28/2009

Por estes dias de campanhas

Por estes dias de campanhas tenho, mais uma vez, a forte sensação de que se o povo português (não ligado à política, leia-se) saísse de mansinho sem dizer nada, se mudasse para um qualquer território, para começar um novo país, e deixasse cá os políticos sozinhos eles nem se aperceberiam, tão entretidos que andam sempre uns com os outros e as suas politiquices. Talvez o Paulo Portas notasse quando visse a feira vazia. E se fossem os políticos a sair, parece-me que também demoraria algum tempo até percebermos. E depois haveria festejos.

5/17/2009

Novo blog aqui na lista ao lado

Foi dos meus professores preferidos, embora ele não o saiba. Daqueles que quando vemos nas escadas da Faculdade confundimos com um aluno mas depois de entrar na sala percebemos que tem uma personalidade didáctica tão robusta como as botas que tinha calçadas. Não fui a tantas aulas como gostaria, fruto de várias coisas. Confesso que até me atrapalhava bastante a falar com ele, houve uma vez que deixei cair as folhas todas que tinha na mão a sair do gabinete dele. Depois do curso acompanhei o blog dele e fiquei com bastante pena quando ele o terminou. Encontrei-o mais tarde na Faculdade de Direito naquele inútil concurso para diplomatas. Ele também concorreu. E agora reencontrei a escrita do "teguivel" e não podia deixar de pôr aqui um link...

5/16/2009

S.A.R.I.P.

Já há muito que estava para pôr aqui um link para este blog dos meus caros colegas do curso de Relações Internacionais. Foi dos primeiros blogs que li (eu demoro um bocado a aderir a tudo o que é novo...) Pronto, aqui está então... O blog da Sociedade Anárquica de Relações Internacionais Piemmel... SARIP

5/03/2009

Maio

Pó dos pinheiros, pó de maio, causa alergias e nostalgias. É este sol que Queima, que planta saudades, acho eu, nem sei bem. Não tenho paciência para isto, mas isto bate forte quando olho para o lado. É uma espécie de nostalgia, é uma espécie de inveja, é uma espécie de passado que lá ficou. É isto que os velhos sentem? Não quero saber de Cortejos nem coisas tais, não tenho paciência para aturar bêbedos. Que incoerência a minha, eu sei mas são incoerentes as almas atormentadas pelo Mundo, como as que vão para Fátima a pé. Comove-me este povo que caminha, deixa-me irritada porque vão no meio da estrada. Tolos, não se ponham em perigo, não me ponham em perigo. (também devia ir, levar-me ao extremo do cansaço para depois descansar). Olha, que giro, vendem-se laranjas de Lamego e de Resende, aqui na nacional ao pé de Pombal, pelo menos é o que diz a placa. Algum carro de apoio aos peregrinos aproveitou a viagem e trouxe as laranjas para vender. Tem que ser, a crise não perdoa, a fé não são laranjas. Todos temos que comer. Almas atormentadas, que vendem laranjas na beira da estrada e andam pelo que acreditam. Comove-me este povo, gosto deste povo. Ás vezes. E do outro, o que bebe até cair para o lado, ao lado de quem quer que seja, que nem só a comida é alimento. Ontem enterrei um pássaro. As “minhas” crianças ajudaram-me. Tiveram pena. Eu também. Era um bebé pássaro. São pequenas as “minhas” crianças, eu não lhes devia ter mostrado o cadáver, acho eu e ensiná-las a enterrá-lo. Rezámos uma oração por ele. Uma já não quis lanchar. Coitada. Percebo. Mas havia crianças no caminho para Fátima, e daqui a um segundo, o mesmo que passou desde que vi o nascer do sol na ponte de Santa Clara naquele dia em que alguém disse para olharmos, porque num instante já não estaríamos lá, estarão elas lá. Por isso não faz mal enterrarem um pássaro. Um dia será ele pó… pó de estrelas. Será? Se calhar só dos pinheiros, pó de Maio, e a nostalgia será delas, que pela primeira vez enterraram um pássaro.

5/02/2009

Mais centros comerciais

Segundo esta notícia, do Expresso, Portugal vai ter mais nove centros comerciais enquanto por toda a Europa estão a recusar a abertura de mais centros comerciais. Confesso que fiquei aliviada por poder ter mais um sítio cheio de lojas para ir passear ao Domingo. Eu e muitos portugueses que quase teriam que arranjar outro programa, quiçá ao ar livre! Que horror, não, não... já bastou os anos de ditadura em que maior parte das pessoas vivia ao ar livre, até porque vivia da pequena agricultura e não havia estas coisas. Bastou esse tempo de pobreza... porque todos sabemos que os pobres é que andam ao ar livre. Mas agora somos iguais aos outros, aos desenvolvidos e já nos podemos enfiar em centros comerciais carregados de...de... de pessoas que trabalham aos Domingos (mas não faz mal, pois não? Estamos a criar emprego... e do bom!) , e carregados de roupas, roupas iguais a ... roupas, que são iguais em todo o lado! Viva os centros comerciais. E de preferência que os façam em zonas ambientalmente protegidas, para não nos darem mais despesas. Matamos dois coelhos de uma cajadada só... matamos coelhos e não só...

N'O Público: "Câmara de Lisboa vai começar a usar água reutilizada para lavar ruas e regar zonas verdes "

Será este um passo rumo à utilização dos sistemas duais de abastecimento de água? Não se tratando ainda de um sistema físico implementado, é uma abertura à implementação destes. Um sistema dual implica o abastecimento de dois tipos de água: água potável para consumo humano e água reciclada (a partir das águas residuais) para outros fins que não requerem água potável, como por exemplo o uso em autoclismos. A água potável existente no planeta é muito escassa e deve ser poupada. O uso desmedido desta água para qualquer fim é um hábito que vai contra a poupança que devemos fazer. Claro que é extremamente caro e complexo implementar estes sistemas numa cidade toda mas pode começar a ser implementado em novas urbanizações, em hóteis, nos jardins públicos. Na Austrália há várias cidades que já usam este sistema e novos bairros de Sydney preparados para isto. Na Índia também estava em estudo um sistema deste tipo e na Itália também há hotéis que já têm, entre outros países. Nalguns países menos sensíveis para as questões da água pode ser difícil ultrapassar alguma resistência, por parte da população, à ideia de usar água reciclada mas é importante informar que esta água também é tratada. Há a questão da segurança. Houve uma cidade australiana em que trocaram os tubos, fazendo uma ligação de água reciclada a água potável, pelo que é importante a formação dos técnicos que fazem a instalação e uma boa sinalização. Há também a questão do preço, podendo haver diferenças de preço entre os dois tipos de água. De qualquer forma o importante é que este é um caminho quase certo em pouco tempo...

4/25/2009

Darwin no Museu da Ciência


Abriu no passado dia 23 de Abril, no Museu da Ciência da Universidade de Coimbra esta exposição. Vale a pena visitar. O Museu encontra-se aberto de Terça a Domingo (excepto 1 de Maio, dia do Trabalhador) entre as 10H00 e as 18H00 (convém ir antes para apreciar com tempo tanto esta como a exposição permanente do Museu). O preço da entrada é de 3 euros, e há descontos para professores, estudantes, cartão jovem e seniores, mediante apresentação de cartão. Se clicar no título é direccionado para o site do Museu onde pode obter mais informações.

4/19/2009

Zé Coveiro

Parece que o Zé Coveiro, figura mítica lá para os lados de uma pequena vila do centro de Portugal, tinha muita pancada e pouco medo.
Conta-se que um dia o Zé Coveiro arranjou um ajudante, menos destemido para esse mórbido trabalho que era enterrar os mortos e alvo fácil para as ideias dele. Houve então um funeral na vila que, atrasando-se, chegou ao cemitério já depois do pôr-do-sol! Ora, não podendo os mortos ser enterrados depois do sol havia que guardar a urna no cemitério e tomar conta do defunto até ao dia seguinte, para ser depois enterrado. Ficou o Zé Coveiro, e o ajudante - que ajudante é para isto mesmo - encarregue da tarefa. Durante a noite a fome começou a apertar e diz o Zé Coveiro para o ajudante "Oh pá, há ali em baixo umas laranjas deliciosas. Agora que é noite ninguém nos vê se as formos roubar. Tu ficas aqui a tomar conta do defunto e eu vou lá". Note-se que na altura ainda não havia luz eléctrica. Mas o ajudante não quis tal acordo, se tinha que ficar sozinho com o defunto. Decidiram então que iria o ajudante buscar as laranjas e o Zé Coveiro ficava no cemitério. Enquanto o pobre rapaz lá ia, lembrou-se o Zé de lhe pregar um grande susto. Tirou o defunto do caixão e encostou-o à parede, no sítio onde ele devia estar! Então, deitou-se ele dentro do caixão, deixando uma fresta aberta e esperou... Chega o ajudante com as laranjas e, como mal via os contornos da noite, não dando pela troca, diz ao defunto "Toma Zé, toma uma laranja, são bem boas..." como não obteve resposta, insistiu "então mas não dizes nada, Zé? Agarra a laranja ou não queres?" Vira-se então o Zé Coveiro dentro do caixão, põe uma mão de fora e diz com voz cavernosa "Se ele não quer, quero eu!!" Pobre ajudante, mal conseguiu gritar, deixou cair as laranjas todas pela encosta do cemitério abaixo e desatou a correr até à vila, gago de tal susto! Nunca mais foi ajudante do Zé, o Coveiro.

4/18/2009

Agitação na vila...

Por este(s) dia(s) Coimbra está agitada. Há um colóquio sobre Património e Ciência, há Olimpíadas de Química, há inauguração do Mosteiro de Santa Clara (vi algures que os arquitectos tinham amuado - palavra que tenho associado muito arquitectos - excepto a ti, verixe), haverá a inauguração da exposição sobre Darwin no Museu da Ciência... entre outras coisas que fazem a vida social desta pequena vila. Há também um casamento, não sei de quem, mas sei que ocupam os estacionamentos que eu precisava...Coimbra está agitada.

4/10/2009

Coimbra é dos espanhóis

Já nos anos anteriores foi assim. Aproxima-se a Páscoa, já entrámos no fim-de-semana. Coimbra está vazia... ou quase. Neste momento é dos espanhóis. As pensões da baixa têm nesta altura uma lufada de ar espanhol. Ainda bem que eles às vezes nos salvam. Falei com dezoito pessoas hoje. Entre casais jovens e famílias, eram todos espanhóis. Mesmo assim pelas informações dos locais turísticos vieram muito menos este ano, até ao momento. Também reparei. Os que vieram são os que ainda não foram afectados pela crise, presumo. Também vieram menos tempo. Começaram a vir mais perto do fim de semana. É pena, eles dão vida a esta cidade nestas alturas. E dinheiro à Polícia Municipal, a julgar pela quantidade de carros espanhóis que vi aí bloqueados ontem. Gostaria de saber o que pensam quando vão embora. Será que foram bem tratados? Gostaram? Ficaram chateados por estar quase tudo fechado? Alguns ficam, segundo me disseram, mas Coimbra é assim (e mesmo assim já melhorou). A cidade que comete a arrogância de achar que se basta a si própria. Pois não basta. Espero que os nossos turistas espanhóis não achem o mesmo e que vão e voltem e tragam um amigo. É bom para a cidade e podia ser ainda melhor...

4/04/2009

Make up


É muito raro comprar maquilhagem, normalmente uso a que me oferecem. Mas hoje, como mulher adulta que tenho que ser, fui comprar um rímel. Lá vi e revi e pedi opinião profissional... uns enrolam as pestanas para parecerem maiores, outros dão mais volume, para parecerem maiores, outros têm uma aplicação prévia nas pestanas, para parecerem maiores e há ainda os que vibram e separam as pestanas umas das outras (segundo ouvi dizer) para parecerem maiores... Depois de muita ponderação e de experimentar os vários ...escolhi o mais barato.

3/28/2009

Censos

O recenseamento da população de um país é um procedimento bastante antigo. Um dos recenseamentos mais conhecidos é referenciado na Bíblia: segundo os relatos da altura este coincidiu com a altura do Natal. Maria estaria a fugir do recenseamento ou a ir para o local do recenseamento. Inclusivé este recenseamento terá sido usado para perseguir Jesus Cristo (matar todos os meninos com menos de um ano seria a solução). Mas há dados que remetem para recenseamentos feitos na China há cerca de 6000 anos atrás. A importância dos censos era óbvia: perceber quantos homens jovens se podia dispender numa guerra, perceber onde estava a maior força de trabalho, a maior produção, quantas bocas haveria para alimentar. Hoje em dia a importância é mais administrativa e informativa. Segundo Fernando Casimiro, do INE, os censos são, no fundo a fonte estatística mais completa e fiável que os países conseguem ter, actualmente. No entanto, exactamente por ser fonte de informação os censos são vistos com alguma desconfiança. Esta desconfiança tem um fundamento geral: é uma recolha de informação sobre cada um de nós e qualquer interferência na privacidade é tomada com uma forma de possível controlo da nossa vida; e um fundamento mais concreto: na história recente os censos foram um instrumento de guerra. Hitler usou o recenseamento da população para identificar os judeus, que viria a perseguir. Os alemães, ao invadirem a França dirigiram-se ao INSEE para obter informações sobre os judeus em França e sobre a actividade económica, nomeadamente a identificação e localização de indústrias importantes para o esforço de guerra. Estas são algumas razões para o medo da concentração de informação sobre todo o país: quem terá acesso a essa informação e o que pode fazer com ela? Há países com mecanismos preparados para que, em caso de invasão de outra potência todos os ficheiros dos respectivos institutos nacionais de estatística sejam destruidos imediatamente.
Actualmente, com o surgimento do cartão do cidadão que cruza e junta a informação toda do cidadão de um país a questão da privacidade ressurge. Provavelmente, talvez não em 2011, mas em 2021 o recenseamento já não será feito através do inquérito porta a porta mas pela extracção de informação da máquina burocrática do estado. Tudo o que há para saber sobre nós poderá ser acedido pelo Estado. É isto perigoso? Num país democrático, em princípio não deverá ser porque há algum controlo do poder, mas numa ditadura o perigo é real. Há várias opiniões acerca deste assunto. Por um lado é verdade que mesmo sem censos, caso haja uma ditadura, facilmente o ditador faz um recenseamento da população, rápido e completo para os objectivos que tiver, por isso a questão do perigo nem sequer se coloca. Mas por outro será que o acesso a informação toda poderá facilitar a ascensão de um ditador?

3/27/2009

Dois novos blogs

Acrescento dois novos blogs a esta lista. Não é por nenhuma razão em especial. São só blogs que tenho lido e, como gosto de os ler, aqui estão: Ana de Amsterdam e o Regabofe.

3/15/2009

Aquário

Quero ter uma casa com varanda, e um quintal onde eu possa respirar... Pôr uma rede e assim ficar, a balançar, com o cheiro da erva e o cheiro da terra. Quero poder ver longe e ouvir grilos. Treinar a vista e plantar pimentos. Nada menos do que isso. Quem seria eu para mim se me desse menos?

3/07/2009

Bolas de sabão

Todas as tardes ela até ao rio. Ficava lá a olhar, fascinada e a fazer bolas de sabão. Soprava no líquido, muito delicadamente até se formar uma bola que, muito suavemente se desprendia e voava. Leve, quase transparente, não fosse as cores lindas que se formavam na bola. Voava, voava, sempre a tentar chegar mais alto...até que... rebentava. Nunca chegava muito longe, mas ela tentava novamente. Sempre de costas para as pessoas que passeavam no parque. As famílias, os namorados, os amigos...
Ele vendia gelados no verão e waffles no inverno. Era o herói das crianças, no verão refrescava e no inverno aquecia. Vi-a ali todo o ano, sempre a fazer bolas de sabão, sempre de costas. Parecia linda, com aquele cabelo comprido. Um dia ganhou coragem. Pegou num waffle, encheu-o de chocolate quente e espesso e foi até lá. Passou por entre as famílias e sentou-se ao lado dela. Finalmente ia conhecê-la. Ela olhou para ele e ele para ela e foi então que percebeu.... Ela tinha rapado as sobrancelhas.

2/28/2009

Sobre doutores e engenheiros

Três situações irónicas que se passaram comigo, a propósito dos títulos, que mostram o quão ridículo pode ser isto dos doutores e engenheiros:


Ouvido de passagem:

- Então a menina dra. gisela quer este livro é?


Conversa telefónica:

-Eu quero falar com uma senhora que marcou aqui uma reunião...Edite era o nome dela...
-Ah não sei, não sei. Era a doutora?
-Não sei...só fiquei com o nome...
-Se calhar é a nossa doutora...
-Então mas o nome dessa doutora é Edite?
-Ah, menina, não sei o nome dela...ela quer que a gente a trate por doutora e eu trato. Agora o nome não faço ideia

Num estágio:

A sra da limpeza (que ganhava 600 euros):
- Então a doutora está agora aqui é?
A estagiária (que ganhava 0 euros)
-Pois, mas não me trate por doutora, estou aqui a fazer estágio não remunerado.
-É doutora é, é uma questão de respeito! Então a doutora está a trabalhar de graça, é isso?

2/21/2009

Made in Xangai

A Marta foi para a China (para o efeito não é importante saberem quem é a Marta). E como foi para a China e TODOS queremos saber como é estar na China pela primeira vez (pelo menos eu quero) a Marta tem um blog para contar tudo... É uma espécie de Gonçalo Cadilhe, mas não lhe pagam para escrever. Voltando só um bocadinho atrás, a Marta não tem um blog, tem dois. Isto porque o primeiro foi censurado... estava alojado no wordpress, domínio, obviamente censurado na China (já estávamos à espera disso, já tínhamos comentado). E agora a Marta tem outro blog. Se quiserem ver, cliquem no título e.... boa viagem.

2/19/2009

2/15/2009

Crise

Já viram a quantidade de livros que se escreveram recentemente graças à crise? Como sobreviver à crise, ultrapasse a crise e coiso e tal. E os mails... recebi recentemente um que anunciava que o autor já tinha previsto, profeticamente, que a crise iria acontecer!! Uma crise provocada pela ganância do homem que só pensa em comprar, comprar, pedir empréstimos sem pensar nas consequências. E, como o autor é um profeta, uma pessoa do bem, dava a possibilidade de comprar o seu livro... pela módica quantia de 50 € por mês, com uma taxa de juro atractiva!
Parece que a melhor forma de sobreviver à crise é ... escrever um livro sobre como sobreviver à crise.

2/07/2009

A vida nos carris

É Fevereiro novamente. Este mês incomoda-me. Passou um ano. Não fui por aí conhecer sítios. Não perdi a cabeça. Que tédio. Porque é que isto me inquieta tanto? Este tédio, este passar de tempo. Lembro-me da última vez que fui à Eurodisney. Andávamos a decidir quem é que ia para onde, para que diversões íamos e reparei que havia uma pista com carros. Parecia mesmo karting: os carros de karting, a pista aparentemente lisa e grande... e concordei ficar ali com os mais novos enquanto os mais velhos iam à montanha-russa do Indiana Jones. Lá fui, sempre gostei de conduzir. Quando finalmente entrei, reparei que afinal os carros tinham aquela pista toda mas havia uns mini carris que, apesar de criada a ilusão de que conduzíamos os carros nas curvas e contra curvas, nos impediam de sair da estrada. Na verdade éramos completamente guiados. Um plano que alguém definiu para aquela viagem. Uma decisão mórbida de nos fazer acreditar que controlávamos e podíamos andar por ali à vontade. Mas afinal havia carris... disfarçados, mas havia. Não decidíamos nada.

1/17/2009

Aviões




Tenho medo de andar de avião. Já andei várias vezes e continuo a ter medo. Aliás, tenho cada vez mais medo, isto com a idade piora. A última vez, em que fiz duas viagens de ida e duas de vinda, por causa da escala, houve problemas em três das viagens, desde o avião avariar nitidamente na descolagem até o andarmos a dar voltas a mais para aterrar. Numa delas entrei em pânico, tal como o senhor musculado e tatuado, com ar de Rambo, que ia à minha frente. Acho que vê-lo tremer de medo me deixou pior ainda. Julgo que isto se deve ao facto de não ter controlo e não conhecer as pessoas que me "conduzem". Não posso controlar a eficiência deles. Nem dos outros. Evito viajar de avião mas sempre pensei que quando voltasse andar tinha-me que me convencer que podia confiar nos pilotos e que mesmo havendo problemas eles resolveriam tudo. Nunca imaginei os pilotos em si, mas agora imagino. Uma das formas de tentar ultrapassar o meu medo é ver situações de acidentes em que há sobreviventes porque me deixa pensar que mesmo nos piores momentos nem tudo está perdido. Pelo menos com o piloto deste avião ao comando. É de facto um herói. Para mim é um herói. E devolveu-me parte da coragem... pelo menos até o comentador da sic para esta notícia, piloto e consultor de segurança aérea ter dito que os pilotos portugueses não praticavam muito a amaragem. Porquê?????

11/28/2008

A propósito de capitalismo

Conta-se esta história acerca de uma missão do Banco Mundial que se deslocou a Madagáscar para analisar o uso dos recursos piscatórios:

Um dos peritos que integrava a missão observava diariamente um pescador local. O pescador todos os dias pegava na cana, dirigia-se ao mar e pescava um peixe. Depois de pescado o primeiro peixe voltava para casa, grelhava-o, comia-o e durante o resto do dia descansava e aproveitava o sol. Certo dia o perito dirigiu-se ao pescador e comentou o facto de ele pescar um único peixe por dia, explicando que, ao invés de pescar apenas um, podia pescar mais durante o resto do dia. Como só comia um, o excedente do peixe podia ser vendido. O pescador perguntou, então, para que queria ele pescar mais peixe e vendê-lo. O perito disse que com esse dinheiro podia comprar uma rede e com essa rede, no mesmo tempo podia pescar muito mais peixe e vendê-lo para comprar um barco. Com o barco pescava ainda mais peixe e podia comprar um motor para o barco, e por aí fora, seguindo sempre esta lógica do excedente. O pescador, depois de o ouvir perguntou então para que precisava ele daquilo tudo e o perito respondeu-lhe que era para que quando fosse velho pudesse finalmente descansar à sombra dos proveitos que havia auferido. Responde magistralmente o pescador: mas isso é o que eu faço agora todos os dias.

Não me parece ser preciso dizer a moral da história.

11/11/2008

desabafo

Oscilo entre uma insatisfação crónica na minha vida e uma falta de ambição que não percebo. Tudo está aquém do que deveria estar. Tudo. E nem sequer queria que estivesse tão alto. Boring...A culpa é minha. Preciso de acordar.

11/02/2008

Hoje, no Público

"Cientistas em saldos
25.10.2008 - 17h17 David Marçal
Sabia que há cientistas que ganham 745 euros? Que não têm direito a subsídio de desemprego, férias, Natal ou alimentação? Que não são aumentados há seis anos? Está naturalmente curioso de saber em que país, mas estou certo de que já adivinhou.

São os bolseiros de investigação científica! Uma designação infeliz para os jovens (e menos jovens) investigadores, pois classifica-os pelo tipo de regime contratual com que exercem funções, secundarizando a natureza da actividade (investigação). Faz tanto sentido como descrever um juiz como um "assalariado da justiça".

Os bolseiros podem-se distinguir segundo o tipo de bolsa que têm. Os BIC (bolsa de investigação científica) são licenciados e, independentemente da sua experiência ou competências, ganham 745 euros. Os BD (bolsa de doutoramento) têm em geral um excelente percurso académico e científico (não é fácil ganhar a bolsa!), são investigadores experientes e motivados, ganham 980 euros. O mesmo valor desde 2002, o que representa face à inflação acumulada uma perda de 18 por cento do poder de compra.

Pode-se argumentar que os bolseiros "estão em formação" e que "já é uma sorte estarem a ser pagos". Mas trata-se de adultos (uma licenciatura não se acaba antes dos 22-23 anos) com contas para pagar e legítimo direito à emancipação (ou um cientista tem que viver em casa dos pais?). E quanto à formação, creio que qualquer bom profissional está sempre em formação. Todas as carreiras têm fases e o doutoramento é apenas uma fase da carreira de um cientista.

Os bolseiros têm direito ao chamado "seguro social voluntário" - que é uma espécie de não sei o quê. Basicamente, a entidade que concede a bolsa paga contribuições para a Segurança Social, equivalentes ao salário mínimo. Este é o regime pelo qual estão abrangidas as pessoas que não têm rendimentos. Por que raio enfiaram os jovens investigadores aqui? Fazendo o Governo gala de integrar todas as classes profissionais no regime geral de Segurança Social, que coerência tem não incluir os bolseiros? Esta reivindicação tem sido sucessivamente negada pela tutela. Para que não haja dúvidas: os jovens investigadores querem ser integrados num regime de Segurança Social que outros grupos profissionais não querem porque acham que é mau!

Penso que é necessário criar a percepção social deste problema e da necessidade de evolução, começando pelos próprios investigadores e professores do quadro que trabalham com bolseiros que beneficiam do seu trabalho, com quem publicam artigos e escrevem patentes. Creio que seria de todo justo e adequado que os cientistas e investigadores estabelecidos tomassem pública e politicamente o partido dos jovens investigadores. A alternativa é continuar o choradinho da fuga de cérebros. Não há fuga de cérebros. Há expulsão de cérebros. Se não fazem falta, isso é outra história. Mas sendo assim, digam.

*Investigador em bioquímica. Bolseiro durante seis anos"

10/09/2008

Revoltem-se!

Professores de Portugal, revoltem-se!! Tornem-se pastores!!
Ser pastor é bem melhor!
Mostrem ao governo que preferem
estar à mercê do clima e das ervas dos pastos,
do que das leis deles!
Mostrem aos pais que não sabem dar educação aos filhos
que preferem aturar um rebanho de cabras
do que aturar os seus rebentos mal-educados!
Mostrem que uma cabra ou uma ovelha
que não sabendo o que é castigo
sabem o que é obediência!
O pastor sempre tem um cão para pôr o rebanho na ordem!
Não vos soa bem? Professores?
Pensem no ar puro e limpo!
No silêncio à volta!
Mesmo o berrar das cabras é menos traumatizante
do que os berros e guinchos de 20 crianças sem noção de respeito.
Sejam pastores! Tornem-se todos pastores!
Não há melhor revolta!
Acabam-se as baixas psiquiátricas!
As burocracias!
Acaso há algum relatório a preencher quando se põe a cabra de novo no rebanho?
Acaso têm que pedir desculpa à cabra?
E esta, ri-se de vocês?
Ou diz-vos que os papás vão à serra ralhar com vocês?
Não vos soa bem, professores?
Tornem-se pastores!

8/19/2008

CGTP considera que 1200 empregos anunciados para Santo Tirso podem ser um embuste

Ora aí está uma conclusão acertadíssima. Mais uma vez Sócrates quer fazer de burros os portugueses. Ora aí está ele a criar empregos de m... ( e não me venham com a história de que as pessoas não querem trabalhar, porque quando querem contentam-se com qualquer coisa...) para os escravos da nova era. Não há emprego para os jovens licenciados? Não há reconhecimento de mérito??? Não faz mal, sai um empregozinho precário num call center a ganhar 2,74 €/ hora e a ser chulado durante o tempo que for preciso com pessoas aos berros ao telefone para ser dispensado quando já não precisarem, com um aviso de 8 dias. Desempregados com mestrados e doutoramentos? O que é isso? A estatística só permite números e os números dizem que assim há mais emprego. Lá porque o sr. Sócrates não tem dois dedos de testa não quer dizer que o resto do país não tenha.

8/12/2008

Faço minhas as palavras de...

...Do Portugal Profundo

"Ora, o que se tem passado em Portugal é a alienação desprezível de uma geração de jovens talentos em áreas diversas, que chegaram à vida adulta, formação inicial completada, sonhos e projectos erguidos nas madrugadas de conquista emocional, que depois de sentirem a canga da exploração sistémica, dos comissários dos comissários políticos, dos chefinhos abusadores repressores das iniciativas, do desemprego apesar do valor, decidiram emigrar. Noutros países, de maior liberdade, o seu trabalho é recompensado, os seus projectos acolhidos, o seu valor promovido.

Outros disseram que houve uma geração que votou com os pés. Esta também. Mais solta, todavia, esta não remete divisas para mulheres, filhos e pais, não constrói vivendas na terra, não participa sequer em tertúlias políticas contra a miséria política do Portugal que, aliás, sentirá sempre. Eles sentem, além desse lamento pegajoso antigo, da amargura do desprezo da corrupção, da incompetência da cunha e do absurdo egoísta da falta de solidariedade inter-geracional, Portugal dentro de si. E sentem que são portugueses à solta, com forma diversa de entender o mundo, mais humana e desembaraçada, e que Portugal se pode fazer em qualquer canto de mundo onde haja um português.
O drama, mal compensado pela exportação desse Quinto Império de cultura, é que a maioria desse valor não torna à terra nossa, nem mesmo se o próximo governo tomasse como missão principal reganhar essa geração emigrada, pois encontrou emprego, oportunidade e recompensa, que a obsolescência económica nacional não pode no curto prazo recuperar. Vale a verdade: a maior responsabilidade da nova emigração portuguesa pertence aos governos que desgovernaram a nossa barca.

A pena maior que tenho, e nós que sentimos esse esvair da seiva lusa, é que, agora, diversamente do êxodo anterior, não existe registo em prosa ou poesia da nova emigração portuguesa, que começou a partir em meados dos anos 1990 e cujo fluxo se tem intensificado nos últimos anos. O motivo pode ser a consciência de que não existe apenas a queixa face a uma classe política mais ou menos corrupta que conduziu o País a este quase desfecho da independência em retrocesso - que pressente quem foi avisado pela História -, mas também uma queixa face às gerações douradas que votam precisamente nos líderes da desgraça que, menos mal para elas, lhes garante as reformas de luxo e os empregos seguros.

Mesmo assim, peço aos leitores emigrados que lêm este mundo inteiro dos blogues livres, que ultrapassem essa angústia e nos contem, para vergonha de quem governa e de quem neles vota, a odisseia do seu valor. Para que quem ficou, mais cedo ou mesmo mais tarde, reganhe a consciência da integridade do Povo e da promissão da Pátria." publicado por Do Portugal Profundo

Podem consultar o post inteiro no blog para o qual o link está aqui ao lado.

8/10/2008

Ossétia do Sul

Quem vê a ofensiva militar de Mikheïl Saakachvili na Ossétia do Sul não percebe como é que o processo de desenvolvimento da Geórgia passa pelo uso da força. A questão da Ossétia do Sul é de facto uma pedra no calcanhar da Geórgia mas a educação Ocidental do seu jovem presidente (nos EUA), o combate à corrupção, os planos de desenvolvimento económico e os projectos de entrar para a NATO faziam crer que a via militar seria a última opção, ainda por cima sabendo que teria de enfrentar a Rússia pelo caminho. Mesmo com um exército bem preparado ( Mikheïl Saakachvili investiu na modernização e preparação deste, também) o facto é que estamos a falar da Rússia e basta olhar para os dois países para perceber que dificilmente a Geórgia sairia deste confronto vencedora. Foi também ingénuo pensar que EUA e países europeus entrariam imediatamente numa ofensiva militar deste tipo contra a Rússia, mesmo limitada ao território da Ossétia do Sul. Há, claro a questão do oleoduto que atravessa a Geórgia e que é de interesse para o Ocidente, em caso de conflito com a Rússia mas isso não seria suficiente para que a Europa e os EUA abandonassem a via diplomática. Via essa que, aliás, não deveria ter sido abandonada pelo Presidente da Geórgia.

O que vai por aí...

Os recentes confrontos na Quinta da Fonte (Loures) são sobretudo resultado de uma política de habitação social que concentra pessoas com grandes níveis de pobreza e não de um problema de convivência entre etnias, afirma o ex-ministro Paulo Pedroso." in Público, 10-08-08

De facto a questão do realojamento é um problema bem mais profundo do que parece. Claro que a concentração de pessoas com grandes níveis de pobreza é o mesmo que juntar dinamite num balde e rezar para que nenhum fósforo caia lá dentro. Mas a escolha oposta, que seria integrar estas pessoas separadamente em prédios e em bairros já habitados por outras famílias plenamente integradas é uma boa opção apenas teoricamente. É a velha questão da sala de aula: o que fazer com os maus alunos? Juntá-los todos e separá-los para não perturbarem os bons ou espalhá-los entre os bons, esperando que daí advenha a sua correcção? A má moeda afasta a boa moeda. A questão é que quem viveu durante vinte anos num prédio, sem qualquer problema de vizinhança e perfeitamente integrado na sociedade vê o apartamento ao lado ser habitado por famílias com problemas de criminalidade, sem qualquer tipo de respeito pelos vizinhos do lado, a ocuparem o espaço público de forma desordeira, a ameaçarem a sua família (obviamente, descansem os protectores dos coitadinhos nem todas estas famílias são assim... mas o que estou a descrever é uma situação verídica e repetida...), e a serem sustentados por um sistema social para o qual pessoas que trabalham contribuem, essas pessoas não têm que arcar com os problemas de realojamento. Conheço uma situação em que um prédio inteiro, anteriormente pacato, sofre com os problemas de realojamento de uma só família. Além da questão da desvalorização das casas. As pessoas que compram a casa, compram o pacote todo, inclusivé a vizinhança... se a vizinhança piora o preço do pacote desce. É de facto um grave problema. Mas que tem que ser tratado de fundo, a política de habitação social tem que estar integrada com a política de imigração e com políticas de emprego. Nunca separada.

8/09/2008

A Fórmula de Deus







Li "A Fórmula de Deus" de José Rodrigues dos Santos há umas semanas e li agora "O Sétimo Selo". Fiquei surpreendida pelo conhecimento científico transmitido pelo autor. Desconhecia esta área de interesse do jornalista. Fiquei, no entanto, decepcionada com a escrita em si. Que não é nenhum Kafka nem nenhum Somerset Maugham, era óbvio, mas é desesperante ver o autor afundado em descrições tão básicas como "eram o céu e a terra, o yin e o yang"...De qualquer forma o decorrer da acção consegue prender o leitor e a capacidade do autor descrever teorias de física a leigos como eu ultrapassam a questão da superficialidade da literatura.

6/22/2008

E é esse povo que vejo nos arraiais. Não naqueles para turista ver. Não naqueles onde três sardinhas custam cinco euros. Não naqueles que estão conforme as regras, mas naqueles onde tudo é dado. Onde as sardinhas e as febras ainda abundam sem asae's por perto, onde se oferecem, e o pão e a broa que já alguém ofereceu. E os negócios pequenos que sobrevivem assim.. os goufres, os bares das associações, os cafés pequenos, as bandas de baile... e onde o povo se reencontra. Muitos passado tanto tempo e tanta coisa e são iguais, todos, outra vez. Esse povo fabuloso, extremo, crente. Esse povo que reza ao santo e quase o protege mais do que ele os protege. Esse povo que se organiza e faz acontecer.. E quando já é de manhã continuam lá... porque de repente nada ainda passou e são todos da mesma idade e nada mudou...E não se cansam. A festa continua. Fé e sardinha e música, daquela que nada vale, daquela que não presta mas é fabulosa, porque todos ouvem e todos dançam. Porque afinal todos retornamos lá, porque um dia morremos e todos sabemos isso. Vamos mas é aproveitar.

6/20/2008

"Finalmente, o quem vem em primeiro lugar: o povo. Por Lisboa, cada vez mais estranha ao Portugal que é profundo, mas também noutras cidades e vilas, ainda que a equipa nacional fosse mais fraca do que as anteriores e estivesse ainda pior, vi nos bairros ricos raras bandeiras, enquanto passando na avenida de Ceuta em Lisboa, de um e de outro lado, nos prédios que substituíram o Casal Ventoso, vi a maioria das varandas engalanadas com bandeiras. É duro de dizer, mas há um amor fundo à Pátria no povo humilde que vai rareando nas elites decadentes, promíscuas e estrangeiradas. Há uma dor fina que nos mói o corpo e rói o espírito, mas mantemo-nos no combate da mudança e continuamos a crer no futuro de Portugal que é sempre. funda

Esta manhã, mais cedo do que o calor que nos sua, cavando os cardos que começam a infestar o prado ainda verde, teatro do baile dos pássaros sob o céu instável, sinto, ao calcar o chão rijo da fazenda pobre, que Portugal há-de persistir. Apesar de."

Publicado por António Balbino Caldeira em 6/20/2008 01:41:00 P

6/19/2008

E estamos a perder... 2-0 ... pelo menos a programação vai voltar ao normal..

6/03/2008

Indiana Jones

Fui ontem ver o novo filme do Indiana Jones e não consigo dizer se gostei ou não. Claro que tem todos aqueles exageros de filme americano centrado no herói, mas desses exageros gostei, até porque quando vamos ver um filme daqueles não podemos esperar outra coisa. Mas aquele final não precisava de ser assim... Não deixou aquele gostinho bom depois do filme. Em vez de sair de lá a dizer que tinha gostado, saí de lá a dizer que o filme tinha uma parte em comum com o Spice World (o pior filme que eu já vi...e confesso que é a primeira vez que admito publicamente que vi o filme...). Mas o Dr. Jones, é sempre o Dr. Jones...Se virem digam-me o que acharam.

4/24/2008

Quando vi as propostas do governo para o novo Código do Trabalho pensei que, finalmente, haveria algum combate ao desemprego e principalmente ao trabalho precário. Entre todas as medidas, umas boas, outras menos boas, a que me chamou a atenção foi, obviamente ,a que se refere aos recibos verdes. Se, inicialmente, fiquei feliz por haver alguma tentativa de combate ao flagelo dos falsos recibos verdes, bastaram uns minutos para perceber que esta medida é um presente envenenado. E porquê? Pelo seguinte:

- A taxa de 5% a pagar à segurança social por parte dos "empregadores" de trabalhadores independentes continua a ser muito menor do que as dos contratados, logo continua a compensar optar pelos falsos prestadores de serviços.

-Esse custo facilmente vai recair, em parte (ou mesmo na totalidade) sobre o trabalhador. Ao empregador basta-lhe, no novo contrato de prestação de serviços, estabelecer um valor 5 % mais baixo, o que compensa duplamente pois além de retirar ao trabalhador, vai pagar 5% de um valor 5 % menor.

-O trabalhador a recibos verdes continua a pagar 24,6% à segurança social. Pouco menos do que paga actualmente.

-As vantagens de ter um trabalhador a recibos verdes vão muito além do que estar isento de pagar a segurança social. O trabalhador a recibos verdes não tem direitos. Não tem direito a subsídios de férias, natal, transporte, alimentação, etc. Não tem direito a férias. Nunca recebe horas extraordinárias. Trabalha ao fim de semana e à noite sem qualquer compensação e o facto de não ter direito a baixa a não ser que pague 32% à segurança social - e acreditem que quem tem um ordenado de, por exemplo, 500 euros não pode fazê-lo ,e se for de 1000 euros já tem que pagar 20% ao irs, o que totaliza 52% do ordenado para o estado - faz com que se evite ao máximo esta situação. Isto, além de poder dispensar o trabalhador a qualquer altura. Concluindo, continua, mais uma vez, a compensar às empresas e ao Estado contratar falsos prestadores de serviços.

- Finalmente há aqui um ponto crucial: substituir os contratos por recibos verdes é ILEGAL!! Não consigo perceber como é que um Ministro admite na Assembleia da República que comete uma ilegalidade no seu Ministério e tem conhecimento e não a combate e o país não se indigna. Estamos a falar de uma situação concreta. É ilegal. O trabalhador independente não tem horário de trabalho, não tem que realizar o trabalho no local que o empregador estabelece, não está subordinado a ordens superiores a não ser no trabalho final a apresentar. No caso de recepcionistas, por exemplo, é óbvio que é um falso trabalhador independente. A Universidade de Coimbra opta por esta via e está a cometer uma ilegalidade. Não é como combater a pobreza, que é uma luta quase abstracta, para a qual as medidas podem ou não resultar. Esta taxa vem legitimar essa ilegalidade. É como se agora eu pudesse roubar mas tivesse que pagar uma taxa por isso.

Ou seja, nos casos dos falsos recibos verdes esta medida é só fogo de vista. Não representa um verdadeiro combate. Para se combater esta situação, além das medidas dissuadoras é preciso apostar forte na fiscalização. E começar por fiscalizar o próprio Estado, o que mais viola a lei.

Relativamente às restantes medidas saúdo o governo de Sócrates. Todos sabemos que fazem parte da estratégia política para avançar, em 2009, para a maioria absoluta, mas também sabemos que não há altruísmo na política, por isso, o motivo não me interessa, venham as medidas.

3/27/2008

Sobre o amor...

Ás vezes parece que as histórias de amor só se reconhecem no fim. Quando chega aquele momento em que tudo se prova, a paciência, a coragem. E aí, o amor que esteve lá e segurou, sustentou toda uma vida, vem de novo à superfície e mostra-se em toda a sua força. Percebemos que de facto é uma coisa incrível. O amor é uma coisa mesmo incrível. Não incrível como nas histórias de encantar que acabam com o foram felizes para sempre ou até ao divórcio. Nem tem nada a ver com beleza eterna (até porque isso não existe - ouviste lili? - AH AH AH - ler as gargalhadas com ar diabólico). Não, é incrível nas suas mais pequenas manifestações. Incrível porque pode, de facto, durar toda uma vida com todo o respeito que isso implica e no fim ainda ter força para se mostrar. Incrível porque dá uma coragem sobrehumana às pessoas mais normais que conhecemos. Se calhar nunca reconhecemos as histórias de amor até o "sempre" estar perto, e não as podemos desfrutar como tal, e ainda bem, porque isso manter-nos-ia demasiado preocupados em ser perfeitos em vez de viver. Mas podemos optar por viver amando alguém...

3/04/2008

Acerto de contas

Valores que a Universidade de Coimbra me pagou este ano relativo ao meu trabalho de Janeiro e Fevereiro: O euros

Valores que eu paguei ao Estado relativo ao MEU trabalho de Janeiro e Fevereiro: 300,00 euros

Estará aqui qualquer coisa errada????...Se não tivesse os pais maravilhosos que tenho teria que ASSALTAR pessoas para poder ter um emprego digno.

A propósito, a reportagem de capa da Visão é assustadora. Reconheço-me e reconheço tantas outras pessoas que conheço nestes que aqui dão a cara e contam as suas histórias:




O que mais me irrita é achar que entre aqueles que se estão borrifando e os do "quero lá saber, eu já me safei..." (que se estão borrifando, portanto...) lamento que tanto se perca, tanta criatividade, tanta mente brilhante. Talvez alguém se revolta. Talvez alguém pague por se estar a borrifar.

3/03/2008

Fevereiro...

Acabou Fevereiro , este mês em que nasci, este mês de tudo. Ai, vida... é o óleo para mudar, será também o filtro?! Faço 27 anos, ainda não me pagaram, é a porcaria da Segurança Social..."só pode reclamar antes de fazer qualquer pagamento voluntariamente". Mas o que há de voluntário em ser roubada? Uvas sem graínha? O que raio é isto de uvas sem graínha? (Não devia ver televisão enquanto escrevo). A facilidade chega assim tão longe. Também não gosto da nata no leite mas como a côdea do pão. Há-de chegar o dia em que... "a bateria está quase a ir à vida, 'tá a perceber? Devia mudar os pneus de trás 'tá a perceber?" Quem é que disse que os mecânicos inventavam problemas na mesma medida em que somavam parcelas à conta final? Alguém disse..."Esta tampa está partida, tem que ser mudada 'tá a perceber?" Este mecânico irrita-me com esta do 'tá a perceber... "A tampa não estava partida quando cheguei..foi você que a partiu, agora cole-a com fita adesiva" "A menina é que sabe, mas uma tampa nova é barata 'tá a perceber? " Barata... Barato não se aplica a quem tem que pagar ao Estado antes do Estado lhe pagar o que deve. Porque é que não podemos simplesmente fazer acertos de contas? Por falar em acertos de contas...bom, deixemos agora isso. Só quero mudar o óleo... "A gente aconselha a mudar o filtro, 'tá a perceber?" Quais as consequências se eu não mudar? "As consequências é que a gente aconselha, 'tá a perceber?" Ó homem, mas que raio de resposta é essa. Ai meu deus... Fevereiro é o mês da matrícula do carro...como é que aquilo se chama? É o imposto único de.... de..... de.... circulação. Já fica para Março, de nada vale, a Universidade é caloteira, o Estado é ladrão. Merda de Universidade, esta de Coimbra, espero que exploda com muito fogo de artifício. Também não gosto de fogo de artifício. Deste ia gostar. E a graínha? Porque raio tiramos todas as dificuldades às crianças coitadinhas? Há-de chegar o dia em que com uma graínha engasgadas cairão e sem ar morrerão. Pelo menos não serão roubadas pelo Estado, assim, depois da grainha que um dia alguém se esqueceu de tirar.

2/12/2008

Post CC

Já passaram quase 5 meses desde que deixei de trabalhar num call-center... e cada vez que atendo o telefone ainda fico à espera de um louco aos berros do outro lado... (claro que se se tratar da Allianz, o louco aos berros sou eu - admito).

Livros


Li, há pouco tempo, este livro, o primeiro da Trilogia do Cairo. É, sobretudo, um relato da vida de todos os dias de uma família muçulmana no Egipto enquanto começava a luta pela independência. Enquanto o chefe de família, personagem ambígua e marcante, luta por manter a sua casa e a vida da sua família dentro da normalidade ( e dos costumes islâmicos), a revolução, aos poucos, vai chegando até eles. Li e deixei-me envolver completamente, graças à vivacidade da descrição que quase nos mostra as ruas, as casas, as personagens... Aconselho.

Vista da minha janela...

1/03/2008

Viva Portugal

Estava eu, nas minhas considerações de início de ano (que é como quem diz, contas à vida, literalmente) a indagar sobre porque é que tenho que descontar um total de 45 % do meu (parco, quiçá, mísero) ordenado para o Estado. Ordenado esse pago a recibos verdes pelo próprio Estado (quando de trabalhadora independente não tenho nada) quando vejo uma notícia que me elucidou e me deixou em suprema felicidade e ânsia por contribuir de forma tão generosa para propósitos mais altos: o financiamento dos partidos políticos com mais de 50 mil votos vai aumentar 5,7%. Posto isto, de que me queixo? Ainda bem que temos um Estado que zela pelo bem de todos nós. Estou certa de que tal medida (venha da indexação ao SMN ou ao raio que o parta) vai beneficiar milhões e milhões de portugueses. Talvez na próxima campanha as canetas sejam de cor, ou os aventais mais resistentes, não sei...

O ditado é velho: quem parte e reparte e não fica com a melhor parte, ou é burro ou não tem arte.

São os loucos

O que fazemos com os loucos que deixamos para trás? Os perdidos, fracos que alguma vez não se conseguiram levantar . Os que são como nós, que são fortes até não mais o serem, os que não aguentaram o tombo. O tombo que também provocámos que também podemos levar. Mas não levamos porque somos fortes, os outros são fracos. Somos responsáveis pelos loucos, os fracos? São loucos por sua culpa, são fracos. São loucos porque foram fracos. Se são fracos e não aguentam porque temos nós, fortes, de os proteger? Proteger deles próprios. Fossem eles fortes. É mais fácil ser fraco não é? E deixar que os outros tenham culpa, e deixar que outros... Por sermos fortes também provocámos o tombo. São fracos. Os fortes cuidam dos fracos. Tem que ser assim. Quando os fortes querem cuidar dos fracos.