6/30/2009

Verão na TV ... que bom, hã

Mais uma vez, como em todos os Verões a televisão dos pobres, aquela dos 4 canais, foi invadida por programas de Verão. Aqueles de apresentadoras de calça branca e top’s coloridos, assistência e convidados de mini-saia e vestidos vaporosos, filmados algures no Litoral português, "na sua terra", como eles dizem, e com muitos cantores pimba, alguns ainda a sacudir o mofo acumulado no Inverno. É engraçado ver, naqueles dias em que faz frio...(sim, porque não é por um programa se chamar Verão total que vai fazer calor, que o Verão não se compadece com locais de filmagem) os convidados e apresentadores cheios de frio, a tentar ter um ar de quem está a curtir muito o sol. Também tem que haver crianças, claro... e foi giro vê-las brincar e dançar na areia.... TODA MOLHADA, porque.. eh eh... choveu! Aliás, num dos canais a apresentadora de um tal Verão Total estava a entrevistar alguém com um chapéu de chuva! Enquanto a outra pessoa cruzava os braços e se tentava aquecer a ela própria...Cómico.

6/28/2009

Medo

Há uns tempos tentaram assaltar a casa onde vivo, em Coimbra. Eu estava a chegar a casa, e outras pessoas estavam já em casa quando partiram o vidro da portada, abriram a primeira porta e começaram a tentar abrir a segunda. Esta era mais difícil de abrir e o assaltante começou a dar pontapés violentos para entrar. Foi um susto enorme. Primeiro pela sensação de invasão e depois porque o assaltante sabia que estavam pessoas em casa, devia presumir que aquela barulheira toda, depois do vidro a partir e dos pontapés, iria acordá-las. Não sei se estava armado ou se estava só desesperado mas, nesse momento, em que tentámos afuguentá-lo só me apetecia parir-lhe a cara. Bater-lhe até ele chorar. Praguejei contra todas as leis que de alguma forma protegem estes criminosos. Ele acabou por fugir enquanto chamávamos a polícia. Claro que a polícia nada pôde fazer, até porque não o apanharam em flagrante. Na altura lembrei-me de que tinha visto alguém "suspeito" a rondar a casa durante toda a tarde e disse à polícia, a medo, porque isto de apontar dedos sem provas é um bocado chato. A descrição coincidia com um indivíduo referenciado noutros assaltos, principalmente o carro. A partir daí sempre que vejo essa pessoa tenho medo. Já o vi noutras situações suspeitas, e parado junto ao meu local de trabalho e tenho sempre medo. Posso estar completamente enganada, pode não ter tido nada a ver com o assalto, mas o medo ficou lá. É injusto isto do ter medo. Porque trabalho, porque sou honesta, porque tudo... porque não é justo eu ter medo de alguém sem eu ter culpa nenhuma. E não é justo que haja pessoas que defendem essas pessoas.

E pronto, tenho dito. Sou um bocado extremista nestas coisas. Quando o mal é feito deliberadamente, quando está provado, aí, não há defesa, não há sociedade culpada, há só escolhas.

6/27/2009

Espíritos livres

S. é aquilo a que chamo um espírito livre. Há pessoas assim. Conhecemos e vemos logo que são feitas de sonho e de vento e estão aqui para voar. E quando não voam definham. E não são felizes, porque só amor não lhes basta. E, às vezes, até decidem não ouvir o vento que as chama e ficam. E tentam. E às vezes até conseguem quando apanham a brisa e a trancam no quarto onde às vezes podem ir voar. Até as chamarem, porque só o vento também não basta.

Thriller

Cresci ao som disto... É um daqueles ícones com que sempre convivi e que agora desapareceu. Não sou fã porque, sinceramente, há pouca coisa da qual possa dizer que sou fã, mas tinha muitas vezes músicas do Michael Jackson na cabeça. Tive pena...

Thriller

It's close to midnight and something evil's lurking in the dark
Under the moonlight, you see a sight that almost stops your heart
You try to scream but terror takes the sound before you make it
You start to freeze as horror looks you right between the eyes
You're paralyzed

'Cause this is thriller, thriller night
And no one's gonna save you from the beast about strike
You know it's thriller, thriller night
You're fighting for your life inside a killer, thriller tonight

You hear the door slam and realize there's nowhere left to run
You feel the cold hand and wonder if you'll ever see the sun
You close your eyes and hope that this is just imagination, girl!
But all the while you hear the creature creeping up behind
You're out of time

'Cause this is thriller, thriller night
There ain't no second chance against the thing with forty eyes, girl
Thriller, thriller night
You're fighting for your life inside a killer, thriller tonight

Night creatures calling, the dead start to walk in their masquerade
There's no escaping the jaws of the alien this time
(They're open wide)
This is the end of your life

They're out to get you, there's demons closing in on every side
They will possess you unless you change that number on your dial
Now is the time for you and I to cuddle close together, yeah
All through the night I'll save you from the terror on the screen
I'll make you see

That this is thriller, thriller night
'Cause I can thrill you more than any ghost would ever dare try
Thriller, thriller night
So let me hold you tight and share a
Killer, diller, chiller, thriller here tonight

'Cause this is thriller, thriller night
Girl, I can thrill you more than any ghost would ever dare try
Thriller, thriller night
So let me hold you tight and share a killer, thriller, ow!

(I'm gonna thrill ya tonight)
Darkness falls across the land
The midnight hour is close at hand
Creatures crawl in search of blood
To terrorize y'alls neighborhood

I'm gonna thrill ya tonight, ooh baby
I'm gonna thrill ya tonight, oh darlin'
Thriller night, baby, ooh!

The foulest stench is in the air
The funk of forty thousand years
And grizzly ghouls from every tomb
Are closing in to seal your doom

And though you fight to stay alive
Your body starts to shiver
For no mere mortal can resist
The evil of the thriller


P.S. É engraçado como já começaram a aparecer aqueles rumores, ainda que timidamente, de que ele não morreu mesmo e é tudo um golpe publicitário. Será que os famosos não morrem? É sempre um golpe publicitário? Se calhar estão todos numa ilha, tipo Lost... agora que o Elvis deve estar mesmo muito velho, vai o M.J. assumir o comando...

As beiras

Já repararam que no site do jornal "As beiras" tem uma rubrica com os artigos de opinião com os colunistas do jornal e que são TODOS docentes da U.C.? Mas será que essa é a única profissão nesta cidade? É que... há outras profissões... há empresários (poucos, claro), há outras pessoas, que não sendo os senhores doutores professores exmo's da U.C. também contribuem para a cidade, se calhar até mais. Será política do jornal? Só ter colunistas que sejam docentes da U.C.? É que há mais na cidade... eu sei que pouco mais porque estas coisas abafam um bocado tudo o resto, mas há mais...
Há pouco tempo encontrei uma família que veio visitar a Universidade de Coimbra porque o filho estava indeciso entre concorrer para Coimbra ou para o Porto. E dizia o pai: "sabe, menina, só viemos cá por mera curiosidade, porque o que todos sabemos, lá no Alentejo, é que esta universidade já não vale nada, é só um monte de senhores doutores que de tanto olhar para o umbigo se esqueceu que tinha que evoluir..." O rapaz, com média de 19 a querer entrar em Arquitectura acabou por decidir que vai concorrer para o Porto.

6/25/2009

Telemóveis

Porque é que as pessoas atendem os telemóveis só para dizer "Olhe, desculpe, agora não posso atender..." ...................... Então porque raio atendeu e me fez gastar dinheiro??

Porque é que há pessoas que atendem o telemóvel no carro, não baixam o rádio e estão a gritar "Fale mais alto que não estou a conseguir ouvir bem".................. porque não baixar o rádio??

6/20/2009

Rescaldo...


E agora? Já não temos "direito" ao TGV? Sempre achei este cartaz ridículo.. "direito"... por favor. E o meu direito a ter uma lancha rápida no rio Mondego? Bom, se calhar perderam porque foram atrás dos votos daqueles que acham que ter um TGV é um direito deles e que acham que vão andar um dia nesse TGV... com votos desses qualquer um perde. Agora com este adiamento daquilo a que temos direito não podia deixar de apontar aqui...

6/18/2009

A propósito do Destino

Conta-se que um dia a Morte se aproximou de um homem e lhe segredou ao ouvido: "prepara-te, homem, amanhã, ao final do dia venho-te buscar". O homem, em pânico com tal revelação, pôs-se a pensar em como se iria livrar da Morte. Analisou todas as hipóteses de morrer: seria de acidente de carro, a vir do trabalho? Seria uma bala perdida? Seria atropelado? Seria de ataque cardíaco? Como ainda tinha um dia resolveu tentar fugir para o mais longe possível da morte. Apanhou um avião para o outro lado do mundo. Ao chegar apanhou um comboio, depois um autocarro, um taxi e, finalmente caminhou até ao cimo da montanha mais alta, o mais longe possível da sua terra e da Morte... Ao chegar ao cimo da montanha, respirando de alívio eis que avista alguém que se aproxima. A Morte caminhava para ele e, olhando para o relógio, disse: "Bom, estava a ver que não chegavas a tempo ao encontro marcado..."

6/03/2009

Por estes dias de campanhas II

Parece que o POUS defende a proibição dos despedimentos para resolver o problema do.... desemprego, claro.

Pois eu proponho que se proiba também as empresas de falirem e que se proiba as empresas de terem prejuízo e que se proiba...hhmmm... o crime. É proibido mas não faz mal vamos proibir outra vez.

5/28/2009

Por estes dias de campanhas

Por estes dias de campanhas tenho, mais uma vez, a forte sensação de que se o povo português (não ligado à política, leia-se) saísse de mansinho sem dizer nada, se mudasse para um qualquer território, para começar um novo país, e deixasse cá os políticos sozinhos eles nem se aperceberiam, tão entretidos que andam sempre uns com os outros e as suas politiquices. Talvez o Paulo Portas notasse quando visse a feira vazia. E se fossem os políticos a sair, parece-me que também demoraria algum tempo até percebermos. E depois haveria festejos.

5/17/2009

Novo blog aqui na lista ao lado

Foi dos meus professores preferidos, embora ele não o saiba. Daqueles que quando vemos nas escadas da Faculdade confundimos com um aluno mas depois de entrar na sala percebemos que tem uma personalidade didáctica tão robusta como as botas que tinha calçadas. Não fui a tantas aulas como gostaria, fruto de várias coisas. Confesso que até me atrapalhava bastante a falar com ele, houve uma vez que deixei cair as folhas todas que tinha na mão a sair do gabinete dele. Depois do curso acompanhei o blog dele e fiquei com bastante pena quando ele o terminou. Encontrei-o mais tarde na Faculdade de Direito naquele inútil concurso para diplomatas. Ele também concorreu. E agora reencontrei a escrita do "teguivel" e não podia deixar de pôr aqui um link...

5/16/2009

S.A.R.I.P.

Já há muito que estava para pôr aqui um link para este blog dos meus caros colegas do curso de Relações Internacionais. Foi dos primeiros blogs que li (eu demoro um bocado a aderir a tudo o que é novo...) Pronto, aqui está então... O blog da Sociedade Anárquica de Relações Internacionais Piemmel... SARIP

5/03/2009

Maio

Pó dos pinheiros, pó de maio, causa alergias e nostalgias. É este sol que Queima, que planta saudades, acho eu, nem sei bem. Não tenho paciência para isto, mas isto bate forte quando olho para o lado. É uma espécie de nostalgia, é uma espécie de inveja, é uma espécie de passado que lá ficou. É isto que os velhos sentem? Não quero saber de Cortejos nem coisas tais, não tenho paciência para aturar bêbedos. Que incoerência a minha, eu sei mas são incoerentes as almas atormentadas pelo Mundo, como as que vão para Fátima a pé. Comove-me este povo que caminha, deixa-me irritada porque vão no meio da estrada. Tolos, não se ponham em perigo, não me ponham em perigo. (também devia ir, levar-me ao extremo do cansaço para depois descansar). Olha, que giro, vendem-se laranjas de Lamego e de Resende, aqui na nacional ao pé de Pombal, pelo menos é o que diz a placa. Algum carro de apoio aos peregrinos aproveitou a viagem e trouxe as laranjas para vender. Tem que ser, a crise não perdoa, a fé não são laranjas. Todos temos que comer. Almas atormentadas, que vendem laranjas na beira da estrada e andam pelo que acreditam. Comove-me este povo, gosto deste povo. Ás vezes. E do outro, o que bebe até cair para o lado, ao lado de quem quer que seja, que nem só a comida é alimento. Ontem enterrei um pássaro. As “minhas” crianças ajudaram-me. Tiveram pena. Eu também. Era um bebé pássaro. São pequenas as “minhas” crianças, eu não lhes devia ter mostrado o cadáver, acho eu e ensiná-las a enterrá-lo. Rezámos uma oração por ele. Uma já não quis lanchar. Coitada. Percebo. Mas havia crianças no caminho para Fátima, e daqui a um segundo, o mesmo que passou desde que vi o nascer do sol na ponte de Santa Clara naquele dia em que alguém disse para olharmos, porque num instante já não estaríamos lá, estarão elas lá. Por isso não faz mal enterrarem um pássaro. Um dia será ele pó… pó de estrelas. Será? Se calhar só dos pinheiros, pó de Maio, e a nostalgia será delas, que pela primeira vez enterraram um pássaro.

5/02/2009

Mais centros comerciais

Segundo esta notícia, do Expresso, Portugal vai ter mais nove centros comerciais enquanto por toda a Europa estão a recusar a abertura de mais centros comerciais. Confesso que fiquei aliviada por poder ter mais um sítio cheio de lojas para ir passear ao Domingo. Eu e muitos portugueses que quase teriam que arranjar outro programa, quiçá ao ar livre! Que horror, não, não... já bastou os anos de ditadura em que maior parte das pessoas vivia ao ar livre, até porque vivia da pequena agricultura e não havia estas coisas. Bastou esse tempo de pobreza... porque todos sabemos que os pobres é que andam ao ar livre. Mas agora somos iguais aos outros, aos desenvolvidos e já nos podemos enfiar em centros comerciais carregados de...de... de pessoas que trabalham aos Domingos (mas não faz mal, pois não? Estamos a criar emprego... e do bom!) , e carregados de roupas, roupas iguais a ... roupas, que são iguais em todo o lado! Viva os centros comerciais. E de preferência que os façam em zonas ambientalmente protegidas, para não nos darem mais despesas. Matamos dois coelhos de uma cajadada só... matamos coelhos e não só...

N'O Público: "Câmara de Lisboa vai começar a usar água reutilizada para lavar ruas e regar zonas verdes "

Será este um passo rumo à utilização dos sistemas duais de abastecimento de água? Não se tratando ainda de um sistema físico implementado, é uma abertura à implementação destes. Um sistema dual implica o abastecimento de dois tipos de água: água potável para consumo humano e água reciclada (a partir das águas residuais) para outros fins que não requerem água potável, como por exemplo o uso em autoclismos. A água potável existente no planeta é muito escassa e deve ser poupada. O uso desmedido desta água para qualquer fim é um hábito que vai contra a poupança que devemos fazer. Claro que é extremamente caro e complexo implementar estes sistemas numa cidade toda mas pode começar a ser implementado em novas urbanizações, em hóteis, nos jardins públicos. Na Austrália há várias cidades que já usam este sistema e novos bairros de Sydney preparados para isto. Na Índia também estava em estudo um sistema deste tipo e na Itália também há hotéis que já têm, entre outros países. Nalguns países menos sensíveis para as questões da água pode ser difícil ultrapassar alguma resistência, por parte da população, à ideia de usar água reciclada mas é importante informar que esta água também é tratada. Há a questão da segurança. Houve uma cidade australiana em que trocaram os tubos, fazendo uma ligação de água reciclada a água potável, pelo que é importante a formação dos técnicos que fazem a instalação e uma boa sinalização. Há também a questão do preço, podendo haver diferenças de preço entre os dois tipos de água. De qualquer forma o importante é que este é um caminho quase certo em pouco tempo...

4/25/2009

Darwin no Museu da Ciência


Abriu no passado dia 23 de Abril, no Museu da Ciência da Universidade de Coimbra esta exposição. Vale a pena visitar. O Museu encontra-se aberto de Terça a Domingo (excepto 1 de Maio, dia do Trabalhador) entre as 10H00 e as 18H00 (convém ir antes para apreciar com tempo tanto esta como a exposição permanente do Museu). O preço da entrada é de 3 euros, e há descontos para professores, estudantes, cartão jovem e seniores, mediante apresentação de cartão. Se clicar no título é direccionado para o site do Museu onde pode obter mais informações.

4/19/2009

Zé Coveiro

Parece que o Zé Coveiro, figura mítica lá para os lados de uma pequena vila do centro de Portugal, tinha muita pancada e pouco medo.
Conta-se que um dia o Zé Coveiro arranjou um ajudante, menos destemido para esse mórbido trabalho que era enterrar os mortos e alvo fácil para as ideias dele. Houve então um funeral na vila que, atrasando-se, chegou ao cemitério já depois do pôr-do-sol! Ora, não podendo os mortos ser enterrados depois do sol havia que guardar a urna no cemitério e tomar conta do defunto até ao dia seguinte, para ser depois enterrado. Ficou o Zé Coveiro, e o ajudante - que ajudante é para isto mesmo - encarregue da tarefa. Durante a noite a fome começou a apertar e diz o Zé Coveiro para o ajudante "Oh pá, há ali em baixo umas laranjas deliciosas. Agora que é noite ninguém nos vê se as formos roubar. Tu ficas aqui a tomar conta do defunto e eu vou lá". Note-se que na altura ainda não havia luz eléctrica. Mas o ajudante não quis tal acordo, se tinha que ficar sozinho com o defunto. Decidiram então que iria o ajudante buscar as laranjas e o Zé Coveiro ficava no cemitério. Enquanto o pobre rapaz lá ia, lembrou-se o Zé de lhe pregar um grande susto. Tirou o defunto do caixão e encostou-o à parede, no sítio onde ele devia estar! Então, deitou-se ele dentro do caixão, deixando uma fresta aberta e esperou... Chega o ajudante com as laranjas e, como mal via os contornos da noite, não dando pela troca, diz ao defunto "Toma Zé, toma uma laranja, são bem boas..." como não obteve resposta, insistiu "então mas não dizes nada, Zé? Agarra a laranja ou não queres?" Vira-se então o Zé Coveiro dentro do caixão, põe uma mão de fora e diz com voz cavernosa "Se ele não quer, quero eu!!" Pobre ajudante, mal conseguiu gritar, deixou cair as laranjas todas pela encosta do cemitério abaixo e desatou a correr até à vila, gago de tal susto! Nunca mais foi ajudante do Zé, o Coveiro.

4/18/2009

Agitação na vila...

Por este(s) dia(s) Coimbra está agitada. Há um colóquio sobre Património e Ciência, há Olimpíadas de Química, há inauguração do Mosteiro de Santa Clara (vi algures que os arquitectos tinham amuado - palavra que tenho associado muito arquitectos - excepto a ti, verixe), haverá a inauguração da exposição sobre Darwin no Museu da Ciência... entre outras coisas que fazem a vida social desta pequena vila. Há também um casamento, não sei de quem, mas sei que ocupam os estacionamentos que eu precisava...Coimbra está agitada.

4/10/2009

Coimbra é dos espanhóis

Já nos anos anteriores foi assim. Aproxima-se a Páscoa, já entrámos no fim-de-semana. Coimbra está vazia... ou quase. Neste momento é dos espanhóis. As pensões da baixa têm nesta altura uma lufada de ar espanhol. Ainda bem que eles às vezes nos salvam. Falei com dezoito pessoas hoje. Entre casais jovens e famílias, eram todos espanhóis. Mesmo assim pelas informações dos locais turísticos vieram muito menos este ano, até ao momento. Também reparei. Os que vieram são os que ainda não foram afectados pela crise, presumo. Também vieram menos tempo. Começaram a vir mais perto do fim de semana. É pena, eles dão vida a esta cidade nestas alturas. E dinheiro à Polícia Municipal, a julgar pela quantidade de carros espanhóis que vi aí bloqueados ontem. Gostaria de saber o que pensam quando vão embora. Será que foram bem tratados? Gostaram? Ficaram chateados por estar quase tudo fechado? Alguns ficam, segundo me disseram, mas Coimbra é assim (e mesmo assim já melhorou). A cidade que comete a arrogância de achar que se basta a si própria. Pois não basta. Espero que os nossos turistas espanhóis não achem o mesmo e que vão e voltem e tragam um amigo. É bom para a cidade e podia ser ainda melhor...

4/04/2009

Make up


É muito raro comprar maquilhagem, normalmente uso a que me oferecem. Mas hoje, como mulher adulta que tenho que ser, fui comprar um rímel. Lá vi e revi e pedi opinião profissional... uns enrolam as pestanas para parecerem maiores, outros dão mais volume, para parecerem maiores, outros têm uma aplicação prévia nas pestanas, para parecerem maiores e há ainda os que vibram e separam as pestanas umas das outras (segundo ouvi dizer) para parecerem maiores... Depois de muita ponderação e de experimentar os vários ...escolhi o mais barato.

3/28/2009

Censos

O recenseamento da população de um país é um procedimento bastante antigo. Um dos recenseamentos mais conhecidos é referenciado na Bíblia: segundo os relatos da altura este coincidiu com a altura do Natal. Maria estaria a fugir do recenseamento ou a ir para o local do recenseamento. Inclusivé este recenseamento terá sido usado para perseguir Jesus Cristo (matar todos os meninos com menos de um ano seria a solução). Mas há dados que remetem para recenseamentos feitos na China há cerca de 6000 anos atrás. A importância dos censos era óbvia: perceber quantos homens jovens se podia dispender numa guerra, perceber onde estava a maior força de trabalho, a maior produção, quantas bocas haveria para alimentar. Hoje em dia a importância é mais administrativa e informativa. Segundo Fernando Casimiro, do INE, os censos são, no fundo a fonte estatística mais completa e fiável que os países conseguem ter, actualmente. No entanto, exactamente por ser fonte de informação os censos são vistos com alguma desconfiança. Esta desconfiança tem um fundamento geral: é uma recolha de informação sobre cada um de nós e qualquer interferência na privacidade é tomada com uma forma de possível controlo da nossa vida; e um fundamento mais concreto: na história recente os censos foram um instrumento de guerra. Hitler usou o recenseamento da população para identificar os judeus, que viria a perseguir. Os alemães, ao invadirem a França dirigiram-se ao INSEE para obter informações sobre os judeus em França e sobre a actividade económica, nomeadamente a identificação e localização de indústrias importantes para o esforço de guerra. Estas são algumas razões para o medo da concentração de informação sobre todo o país: quem terá acesso a essa informação e o que pode fazer com ela? Há países com mecanismos preparados para que, em caso de invasão de outra potência todos os ficheiros dos respectivos institutos nacionais de estatística sejam destruidos imediatamente.
Actualmente, com o surgimento do cartão do cidadão que cruza e junta a informação toda do cidadão de um país a questão da privacidade ressurge. Provavelmente, talvez não em 2011, mas em 2021 o recenseamento já não será feito através do inquérito porta a porta mas pela extracção de informação da máquina burocrática do estado. Tudo o que há para saber sobre nós poderá ser acedido pelo Estado. É isto perigoso? Num país democrático, em princípio não deverá ser porque há algum controlo do poder, mas numa ditadura o perigo é real. Há várias opiniões acerca deste assunto. Por um lado é verdade que mesmo sem censos, caso haja uma ditadura, facilmente o ditador faz um recenseamento da população, rápido e completo para os objectivos que tiver, por isso a questão do perigo nem sequer se coloca. Mas por outro será que o acesso a informação toda poderá facilitar a ascensão de um ditador?

3/27/2009

Dois novos blogs

Acrescento dois novos blogs a esta lista. Não é por nenhuma razão em especial. São só blogs que tenho lido e, como gosto de os ler, aqui estão: Ana de Amsterdam e o Regabofe.

3/15/2009

Aquário

Quero ter uma casa com varanda, e um quintal onde eu possa respirar... Pôr uma rede e assim ficar, a balançar, com o cheiro da erva e o cheiro da terra. Quero poder ver longe e ouvir grilos. Treinar a vista e plantar pimentos. Nada menos do que isso. Quem seria eu para mim se me desse menos?

3/07/2009

Bolas de sabão

Todas as tardes ela até ao rio. Ficava lá a olhar, fascinada e a fazer bolas de sabão. Soprava no líquido, muito delicadamente até se formar uma bola que, muito suavemente se desprendia e voava. Leve, quase transparente, não fosse as cores lindas que se formavam na bola. Voava, voava, sempre a tentar chegar mais alto...até que... rebentava. Nunca chegava muito longe, mas ela tentava novamente. Sempre de costas para as pessoas que passeavam no parque. As famílias, os namorados, os amigos...
Ele vendia gelados no verão e waffles no inverno. Era o herói das crianças, no verão refrescava e no inverno aquecia. Vi-a ali todo o ano, sempre a fazer bolas de sabão, sempre de costas. Parecia linda, com aquele cabelo comprido. Um dia ganhou coragem. Pegou num waffle, encheu-o de chocolate quente e espesso e foi até lá. Passou por entre as famílias e sentou-se ao lado dela. Finalmente ia conhecê-la. Ela olhou para ele e ele para ela e foi então que percebeu.... Ela tinha rapado as sobrancelhas.

2/28/2009

Sobre doutores e engenheiros

Três situações irónicas que se passaram comigo, a propósito dos títulos, que mostram o quão ridículo pode ser isto dos doutores e engenheiros:


Ouvido de passagem:

- Então a menina dra. gisela quer este livro é?


Conversa telefónica:

-Eu quero falar com uma senhora que marcou aqui uma reunião...Edite era o nome dela...
-Ah não sei, não sei. Era a doutora?
-Não sei...só fiquei com o nome...
-Se calhar é a nossa doutora...
-Então mas o nome dessa doutora é Edite?
-Ah, menina, não sei o nome dela...ela quer que a gente a trate por doutora e eu trato. Agora o nome não faço ideia

Num estágio:

A sra da limpeza (que ganhava 600 euros):
- Então a doutora está agora aqui é?
A estagiária (que ganhava 0 euros)
-Pois, mas não me trate por doutora, estou aqui a fazer estágio não remunerado.
-É doutora é, é uma questão de respeito! Então a doutora está a trabalhar de graça, é isso?

2/21/2009

Made in Xangai

A Marta foi para a China (para o efeito não é importante saberem quem é a Marta). E como foi para a China e TODOS queremos saber como é estar na China pela primeira vez (pelo menos eu quero) a Marta tem um blog para contar tudo... É uma espécie de Gonçalo Cadilhe, mas não lhe pagam para escrever. Voltando só um bocadinho atrás, a Marta não tem um blog, tem dois. Isto porque o primeiro foi censurado... estava alojado no wordpress, domínio, obviamente censurado na China (já estávamos à espera disso, já tínhamos comentado). E agora a Marta tem outro blog. Se quiserem ver, cliquem no título e.... boa viagem.

2/19/2009

2/15/2009

Crise

Já viram a quantidade de livros que se escreveram recentemente graças à crise? Como sobreviver à crise, ultrapasse a crise e coiso e tal. E os mails... recebi recentemente um que anunciava que o autor já tinha previsto, profeticamente, que a crise iria acontecer!! Uma crise provocada pela ganância do homem que só pensa em comprar, comprar, pedir empréstimos sem pensar nas consequências. E, como o autor é um profeta, uma pessoa do bem, dava a possibilidade de comprar o seu livro... pela módica quantia de 50 € por mês, com uma taxa de juro atractiva!
Parece que a melhor forma de sobreviver à crise é ... escrever um livro sobre como sobreviver à crise.

2/07/2009

A vida nos carris

É Fevereiro novamente. Este mês incomoda-me. Passou um ano. Não fui por aí conhecer sítios. Não perdi a cabeça. Que tédio. Porque é que isto me inquieta tanto? Este tédio, este passar de tempo. Lembro-me da última vez que fui à Eurodisney. Andávamos a decidir quem é que ia para onde, para que diversões íamos e reparei que havia uma pista com carros. Parecia mesmo karting: os carros de karting, a pista aparentemente lisa e grande... e concordei ficar ali com os mais novos enquanto os mais velhos iam à montanha-russa do Indiana Jones. Lá fui, sempre gostei de conduzir. Quando finalmente entrei, reparei que afinal os carros tinham aquela pista toda mas havia uns mini carris que, apesar de criada a ilusão de que conduzíamos os carros nas curvas e contra curvas, nos impediam de sair da estrada. Na verdade éramos completamente guiados. Um plano que alguém definiu para aquela viagem. Uma decisão mórbida de nos fazer acreditar que controlávamos e podíamos andar por ali à vontade. Mas afinal havia carris... disfarçados, mas havia. Não decidíamos nada.

1/17/2009

Aviões




Tenho medo de andar de avião. Já andei várias vezes e continuo a ter medo. Aliás, tenho cada vez mais medo, isto com a idade piora. A última vez, em que fiz duas viagens de ida e duas de vinda, por causa da escala, houve problemas em três das viagens, desde o avião avariar nitidamente na descolagem até o andarmos a dar voltas a mais para aterrar. Numa delas entrei em pânico, tal como o senhor musculado e tatuado, com ar de Rambo, que ia à minha frente. Acho que vê-lo tremer de medo me deixou pior ainda. Julgo que isto se deve ao facto de não ter controlo e não conhecer as pessoas que me "conduzem". Não posso controlar a eficiência deles. Nem dos outros. Evito viajar de avião mas sempre pensei que quando voltasse andar tinha-me que me convencer que podia confiar nos pilotos e que mesmo havendo problemas eles resolveriam tudo. Nunca imaginei os pilotos em si, mas agora imagino. Uma das formas de tentar ultrapassar o meu medo é ver situações de acidentes em que há sobreviventes porque me deixa pensar que mesmo nos piores momentos nem tudo está perdido. Pelo menos com o piloto deste avião ao comando. É de facto um herói. Para mim é um herói. E devolveu-me parte da coragem... pelo menos até o comentador da sic para esta notícia, piloto e consultor de segurança aérea ter dito que os pilotos portugueses não praticavam muito a amaragem. Porquê?????

11/28/2008

A propósito de capitalismo

Conta-se esta história acerca de uma missão do Banco Mundial que se deslocou a Madagáscar para analisar o uso dos recursos piscatórios:

Um dos peritos que integrava a missão observava diariamente um pescador local. O pescador todos os dias pegava na cana, dirigia-se ao mar e pescava um peixe. Depois de pescado o primeiro peixe voltava para casa, grelhava-o, comia-o e durante o resto do dia descansava e aproveitava o sol. Certo dia o perito dirigiu-se ao pescador e comentou o facto de ele pescar um único peixe por dia, explicando que, ao invés de pescar apenas um, podia pescar mais durante o resto do dia. Como só comia um, o excedente do peixe podia ser vendido. O pescador perguntou, então, para que queria ele pescar mais peixe e vendê-lo. O perito disse que com esse dinheiro podia comprar uma rede e com essa rede, no mesmo tempo podia pescar muito mais peixe e vendê-lo para comprar um barco. Com o barco pescava ainda mais peixe e podia comprar um motor para o barco, e por aí fora, seguindo sempre esta lógica do excedente. O pescador, depois de o ouvir perguntou então para que precisava ele daquilo tudo e o perito respondeu-lhe que era para que quando fosse velho pudesse finalmente descansar à sombra dos proveitos que havia auferido. Responde magistralmente o pescador: mas isso é o que eu faço agora todos os dias.

Não me parece ser preciso dizer a moral da história.

11/11/2008

desabafo

Oscilo entre uma insatisfação crónica na minha vida e uma falta de ambição que não percebo. Tudo está aquém do que deveria estar. Tudo. E nem sequer queria que estivesse tão alto. Boring...A culpa é minha. Preciso de acordar.

11/02/2008

Hoje, no Público

"Cientistas em saldos
25.10.2008 - 17h17 David Marçal
Sabia que há cientistas que ganham 745 euros? Que não têm direito a subsídio de desemprego, férias, Natal ou alimentação? Que não são aumentados há seis anos? Está naturalmente curioso de saber em que país, mas estou certo de que já adivinhou.

São os bolseiros de investigação científica! Uma designação infeliz para os jovens (e menos jovens) investigadores, pois classifica-os pelo tipo de regime contratual com que exercem funções, secundarizando a natureza da actividade (investigação). Faz tanto sentido como descrever um juiz como um "assalariado da justiça".

Os bolseiros podem-se distinguir segundo o tipo de bolsa que têm. Os BIC (bolsa de investigação científica) são licenciados e, independentemente da sua experiência ou competências, ganham 745 euros. Os BD (bolsa de doutoramento) têm em geral um excelente percurso académico e científico (não é fácil ganhar a bolsa!), são investigadores experientes e motivados, ganham 980 euros. O mesmo valor desde 2002, o que representa face à inflação acumulada uma perda de 18 por cento do poder de compra.

Pode-se argumentar que os bolseiros "estão em formação" e que "já é uma sorte estarem a ser pagos". Mas trata-se de adultos (uma licenciatura não se acaba antes dos 22-23 anos) com contas para pagar e legítimo direito à emancipação (ou um cientista tem que viver em casa dos pais?). E quanto à formação, creio que qualquer bom profissional está sempre em formação. Todas as carreiras têm fases e o doutoramento é apenas uma fase da carreira de um cientista.

Os bolseiros têm direito ao chamado "seguro social voluntário" - que é uma espécie de não sei o quê. Basicamente, a entidade que concede a bolsa paga contribuições para a Segurança Social, equivalentes ao salário mínimo. Este é o regime pelo qual estão abrangidas as pessoas que não têm rendimentos. Por que raio enfiaram os jovens investigadores aqui? Fazendo o Governo gala de integrar todas as classes profissionais no regime geral de Segurança Social, que coerência tem não incluir os bolseiros? Esta reivindicação tem sido sucessivamente negada pela tutela. Para que não haja dúvidas: os jovens investigadores querem ser integrados num regime de Segurança Social que outros grupos profissionais não querem porque acham que é mau!

Penso que é necessário criar a percepção social deste problema e da necessidade de evolução, começando pelos próprios investigadores e professores do quadro que trabalham com bolseiros que beneficiam do seu trabalho, com quem publicam artigos e escrevem patentes. Creio que seria de todo justo e adequado que os cientistas e investigadores estabelecidos tomassem pública e politicamente o partido dos jovens investigadores. A alternativa é continuar o choradinho da fuga de cérebros. Não há fuga de cérebros. Há expulsão de cérebros. Se não fazem falta, isso é outra história. Mas sendo assim, digam.

*Investigador em bioquímica. Bolseiro durante seis anos"

10/09/2008

Revoltem-se!

Professores de Portugal, revoltem-se!! Tornem-se pastores!!
Ser pastor é bem melhor!
Mostrem ao governo que preferem
estar à mercê do clima e das ervas dos pastos,
do que das leis deles!
Mostrem aos pais que não sabem dar educação aos filhos
que preferem aturar um rebanho de cabras
do que aturar os seus rebentos mal-educados!
Mostrem que uma cabra ou uma ovelha
que não sabendo o que é castigo
sabem o que é obediência!
O pastor sempre tem um cão para pôr o rebanho na ordem!
Não vos soa bem? Professores?
Pensem no ar puro e limpo!
No silêncio à volta!
Mesmo o berrar das cabras é menos traumatizante
do que os berros e guinchos de 20 crianças sem noção de respeito.
Sejam pastores! Tornem-se todos pastores!
Não há melhor revolta!
Acabam-se as baixas psiquiátricas!
As burocracias!
Acaso há algum relatório a preencher quando se põe a cabra de novo no rebanho?
Acaso têm que pedir desculpa à cabra?
E esta, ri-se de vocês?
Ou diz-vos que os papás vão à serra ralhar com vocês?
Não vos soa bem, professores?
Tornem-se pastores!

8/19/2008

CGTP considera que 1200 empregos anunciados para Santo Tirso podem ser um embuste

Ora aí está uma conclusão acertadíssima. Mais uma vez Sócrates quer fazer de burros os portugueses. Ora aí está ele a criar empregos de m... ( e não me venham com a história de que as pessoas não querem trabalhar, porque quando querem contentam-se com qualquer coisa...) para os escravos da nova era. Não há emprego para os jovens licenciados? Não há reconhecimento de mérito??? Não faz mal, sai um empregozinho precário num call center a ganhar 2,74 €/ hora e a ser chulado durante o tempo que for preciso com pessoas aos berros ao telefone para ser dispensado quando já não precisarem, com um aviso de 8 dias. Desempregados com mestrados e doutoramentos? O que é isso? A estatística só permite números e os números dizem que assim há mais emprego. Lá porque o sr. Sócrates não tem dois dedos de testa não quer dizer que o resto do país não tenha.

8/12/2008

Faço minhas as palavras de...

...Do Portugal Profundo

"Ora, o que se tem passado em Portugal é a alienação desprezível de uma geração de jovens talentos em áreas diversas, que chegaram à vida adulta, formação inicial completada, sonhos e projectos erguidos nas madrugadas de conquista emocional, que depois de sentirem a canga da exploração sistémica, dos comissários dos comissários políticos, dos chefinhos abusadores repressores das iniciativas, do desemprego apesar do valor, decidiram emigrar. Noutros países, de maior liberdade, o seu trabalho é recompensado, os seus projectos acolhidos, o seu valor promovido.

Outros disseram que houve uma geração que votou com os pés. Esta também. Mais solta, todavia, esta não remete divisas para mulheres, filhos e pais, não constrói vivendas na terra, não participa sequer em tertúlias políticas contra a miséria política do Portugal que, aliás, sentirá sempre. Eles sentem, além desse lamento pegajoso antigo, da amargura do desprezo da corrupção, da incompetência da cunha e do absurdo egoísta da falta de solidariedade inter-geracional, Portugal dentro de si. E sentem que são portugueses à solta, com forma diversa de entender o mundo, mais humana e desembaraçada, e que Portugal se pode fazer em qualquer canto de mundo onde haja um português.
O drama, mal compensado pela exportação desse Quinto Império de cultura, é que a maioria desse valor não torna à terra nossa, nem mesmo se o próximo governo tomasse como missão principal reganhar essa geração emigrada, pois encontrou emprego, oportunidade e recompensa, que a obsolescência económica nacional não pode no curto prazo recuperar. Vale a verdade: a maior responsabilidade da nova emigração portuguesa pertence aos governos que desgovernaram a nossa barca.

A pena maior que tenho, e nós que sentimos esse esvair da seiva lusa, é que, agora, diversamente do êxodo anterior, não existe registo em prosa ou poesia da nova emigração portuguesa, que começou a partir em meados dos anos 1990 e cujo fluxo se tem intensificado nos últimos anos. O motivo pode ser a consciência de que não existe apenas a queixa face a uma classe política mais ou menos corrupta que conduziu o País a este quase desfecho da independência em retrocesso - que pressente quem foi avisado pela História -, mas também uma queixa face às gerações douradas que votam precisamente nos líderes da desgraça que, menos mal para elas, lhes garante as reformas de luxo e os empregos seguros.

Mesmo assim, peço aos leitores emigrados que lêm este mundo inteiro dos blogues livres, que ultrapassem essa angústia e nos contem, para vergonha de quem governa e de quem neles vota, a odisseia do seu valor. Para que quem ficou, mais cedo ou mesmo mais tarde, reganhe a consciência da integridade do Povo e da promissão da Pátria." publicado por Do Portugal Profundo

Podem consultar o post inteiro no blog para o qual o link está aqui ao lado.

8/10/2008

Ossétia do Sul

Quem vê a ofensiva militar de Mikheïl Saakachvili na Ossétia do Sul não percebe como é que o processo de desenvolvimento da Geórgia passa pelo uso da força. A questão da Ossétia do Sul é de facto uma pedra no calcanhar da Geórgia mas a educação Ocidental do seu jovem presidente (nos EUA), o combate à corrupção, os planos de desenvolvimento económico e os projectos de entrar para a NATO faziam crer que a via militar seria a última opção, ainda por cima sabendo que teria de enfrentar a Rússia pelo caminho. Mesmo com um exército bem preparado ( Mikheïl Saakachvili investiu na modernização e preparação deste, também) o facto é que estamos a falar da Rússia e basta olhar para os dois países para perceber que dificilmente a Geórgia sairia deste confronto vencedora. Foi também ingénuo pensar que EUA e países europeus entrariam imediatamente numa ofensiva militar deste tipo contra a Rússia, mesmo limitada ao território da Ossétia do Sul. Há, claro a questão do oleoduto que atravessa a Geórgia e que é de interesse para o Ocidente, em caso de conflito com a Rússia mas isso não seria suficiente para que a Europa e os EUA abandonassem a via diplomática. Via essa que, aliás, não deveria ter sido abandonada pelo Presidente da Geórgia.

O que vai por aí...

Os recentes confrontos na Quinta da Fonte (Loures) são sobretudo resultado de uma política de habitação social que concentra pessoas com grandes níveis de pobreza e não de um problema de convivência entre etnias, afirma o ex-ministro Paulo Pedroso." in Público, 10-08-08

De facto a questão do realojamento é um problema bem mais profundo do que parece. Claro que a concentração de pessoas com grandes níveis de pobreza é o mesmo que juntar dinamite num balde e rezar para que nenhum fósforo caia lá dentro. Mas a escolha oposta, que seria integrar estas pessoas separadamente em prédios e em bairros já habitados por outras famílias plenamente integradas é uma boa opção apenas teoricamente. É a velha questão da sala de aula: o que fazer com os maus alunos? Juntá-los todos e separá-los para não perturbarem os bons ou espalhá-los entre os bons, esperando que daí advenha a sua correcção? A má moeda afasta a boa moeda. A questão é que quem viveu durante vinte anos num prédio, sem qualquer problema de vizinhança e perfeitamente integrado na sociedade vê o apartamento ao lado ser habitado por famílias com problemas de criminalidade, sem qualquer tipo de respeito pelos vizinhos do lado, a ocuparem o espaço público de forma desordeira, a ameaçarem a sua família (obviamente, descansem os protectores dos coitadinhos nem todas estas famílias são assim... mas o que estou a descrever é uma situação verídica e repetida...), e a serem sustentados por um sistema social para o qual pessoas que trabalham contribuem, essas pessoas não têm que arcar com os problemas de realojamento. Conheço uma situação em que um prédio inteiro, anteriormente pacato, sofre com os problemas de realojamento de uma só família. Além da questão da desvalorização das casas. As pessoas que compram a casa, compram o pacote todo, inclusivé a vizinhança... se a vizinhança piora o preço do pacote desce. É de facto um grave problema. Mas que tem que ser tratado de fundo, a política de habitação social tem que estar integrada com a política de imigração e com políticas de emprego. Nunca separada.

8/09/2008

A Fórmula de Deus







Li "A Fórmula de Deus" de José Rodrigues dos Santos há umas semanas e li agora "O Sétimo Selo". Fiquei surpreendida pelo conhecimento científico transmitido pelo autor. Desconhecia esta área de interesse do jornalista. Fiquei, no entanto, decepcionada com a escrita em si. Que não é nenhum Kafka nem nenhum Somerset Maugham, era óbvio, mas é desesperante ver o autor afundado em descrições tão básicas como "eram o céu e a terra, o yin e o yang"...De qualquer forma o decorrer da acção consegue prender o leitor e a capacidade do autor descrever teorias de física a leigos como eu ultrapassam a questão da superficialidade da literatura.

6/22/2008

E é esse povo que vejo nos arraiais. Não naqueles para turista ver. Não naqueles onde três sardinhas custam cinco euros. Não naqueles que estão conforme as regras, mas naqueles onde tudo é dado. Onde as sardinhas e as febras ainda abundam sem asae's por perto, onde se oferecem, e o pão e a broa que já alguém ofereceu. E os negócios pequenos que sobrevivem assim.. os goufres, os bares das associações, os cafés pequenos, as bandas de baile... e onde o povo se reencontra. Muitos passado tanto tempo e tanta coisa e são iguais, todos, outra vez. Esse povo fabuloso, extremo, crente. Esse povo que reza ao santo e quase o protege mais do que ele os protege. Esse povo que se organiza e faz acontecer.. E quando já é de manhã continuam lá... porque de repente nada ainda passou e são todos da mesma idade e nada mudou...E não se cansam. A festa continua. Fé e sardinha e música, daquela que nada vale, daquela que não presta mas é fabulosa, porque todos ouvem e todos dançam. Porque afinal todos retornamos lá, porque um dia morremos e todos sabemos isso. Vamos mas é aproveitar.

6/20/2008

"Finalmente, o quem vem em primeiro lugar: o povo. Por Lisboa, cada vez mais estranha ao Portugal que é profundo, mas também noutras cidades e vilas, ainda que a equipa nacional fosse mais fraca do que as anteriores e estivesse ainda pior, vi nos bairros ricos raras bandeiras, enquanto passando na avenida de Ceuta em Lisboa, de um e de outro lado, nos prédios que substituíram o Casal Ventoso, vi a maioria das varandas engalanadas com bandeiras. É duro de dizer, mas há um amor fundo à Pátria no povo humilde que vai rareando nas elites decadentes, promíscuas e estrangeiradas. Há uma dor fina que nos mói o corpo e rói o espírito, mas mantemo-nos no combate da mudança e continuamos a crer no futuro de Portugal que é sempre. funda

Esta manhã, mais cedo do que o calor que nos sua, cavando os cardos que começam a infestar o prado ainda verde, teatro do baile dos pássaros sob o céu instável, sinto, ao calcar o chão rijo da fazenda pobre, que Portugal há-de persistir. Apesar de."

Publicado por António Balbino Caldeira em 6/20/2008 01:41:00 P

6/19/2008

E estamos a perder... 2-0 ... pelo menos a programação vai voltar ao normal..

6/03/2008

Indiana Jones

Fui ontem ver o novo filme do Indiana Jones e não consigo dizer se gostei ou não. Claro que tem todos aqueles exageros de filme americano centrado no herói, mas desses exageros gostei, até porque quando vamos ver um filme daqueles não podemos esperar outra coisa. Mas aquele final não precisava de ser assim... Não deixou aquele gostinho bom depois do filme. Em vez de sair de lá a dizer que tinha gostado, saí de lá a dizer que o filme tinha uma parte em comum com o Spice World (o pior filme que eu já vi...e confesso que é a primeira vez que admito publicamente que vi o filme...). Mas o Dr. Jones, é sempre o Dr. Jones...Se virem digam-me o que acharam.

4/24/2008

Quando vi as propostas do governo para o novo Código do Trabalho pensei que, finalmente, haveria algum combate ao desemprego e principalmente ao trabalho precário. Entre todas as medidas, umas boas, outras menos boas, a que me chamou a atenção foi, obviamente ,a que se refere aos recibos verdes. Se, inicialmente, fiquei feliz por haver alguma tentativa de combate ao flagelo dos falsos recibos verdes, bastaram uns minutos para perceber que esta medida é um presente envenenado. E porquê? Pelo seguinte:

- A taxa de 5% a pagar à segurança social por parte dos "empregadores" de trabalhadores independentes continua a ser muito menor do que as dos contratados, logo continua a compensar optar pelos falsos prestadores de serviços.

-Esse custo facilmente vai recair, em parte (ou mesmo na totalidade) sobre o trabalhador. Ao empregador basta-lhe, no novo contrato de prestação de serviços, estabelecer um valor 5 % mais baixo, o que compensa duplamente pois além de retirar ao trabalhador, vai pagar 5% de um valor 5 % menor.

-O trabalhador a recibos verdes continua a pagar 24,6% à segurança social. Pouco menos do que paga actualmente.

-As vantagens de ter um trabalhador a recibos verdes vão muito além do que estar isento de pagar a segurança social. O trabalhador a recibos verdes não tem direitos. Não tem direito a subsídios de férias, natal, transporte, alimentação, etc. Não tem direito a férias. Nunca recebe horas extraordinárias. Trabalha ao fim de semana e à noite sem qualquer compensação e o facto de não ter direito a baixa a não ser que pague 32% à segurança social - e acreditem que quem tem um ordenado de, por exemplo, 500 euros não pode fazê-lo ,e se for de 1000 euros já tem que pagar 20% ao irs, o que totaliza 52% do ordenado para o estado - faz com que se evite ao máximo esta situação. Isto, além de poder dispensar o trabalhador a qualquer altura. Concluindo, continua, mais uma vez, a compensar às empresas e ao Estado contratar falsos prestadores de serviços.

- Finalmente há aqui um ponto crucial: substituir os contratos por recibos verdes é ILEGAL!! Não consigo perceber como é que um Ministro admite na Assembleia da República que comete uma ilegalidade no seu Ministério e tem conhecimento e não a combate e o país não se indigna. Estamos a falar de uma situação concreta. É ilegal. O trabalhador independente não tem horário de trabalho, não tem que realizar o trabalho no local que o empregador estabelece, não está subordinado a ordens superiores a não ser no trabalho final a apresentar. No caso de recepcionistas, por exemplo, é óbvio que é um falso trabalhador independente. A Universidade de Coimbra opta por esta via e está a cometer uma ilegalidade. Não é como combater a pobreza, que é uma luta quase abstracta, para a qual as medidas podem ou não resultar. Esta taxa vem legitimar essa ilegalidade. É como se agora eu pudesse roubar mas tivesse que pagar uma taxa por isso.

Ou seja, nos casos dos falsos recibos verdes esta medida é só fogo de vista. Não representa um verdadeiro combate. Para se combater esta situação, além das medidas dissuadoras é preciso apostar forte na fiscalização. E começar por fiscalizar o próprio Estado, o que mais viola a lei.

Relativamente às restantes medidas saúdo o governo de Sócrates. Todos sabemos que fazem parte da estratégia política para avançar, em 2009, para a maioria absoluta, mas também sabemos que não há altruísmo na política, por isso, o motivo não me interessa, venham as medidas.

3/27/2008

Sobre o amor...

Ás vezes parece que as histórias de amor só se reconhecem no fim. Quando chega aquele momento em que tudo se prova, a paciência, a coragem. E aí, o amor que esteve lá e segurou, sustentou toda uma vida, vem de novo à superfície e mostra-se em toda a sua força. Percebemos que de facto é uma coisa incrível. O amor é uma coisa mesmo incrível. Não incrível como nas histórias de encantar que acabam com o foram felizes para sempre ou até ao divórcio. Nem tem nada a ver com beleza eterna (até porque isso não existe - ouviste lili? - AH AH AH - ler as gargalhadas com ar diabólico). Não, é incrível nas suas mais pequenas manifestações. Incrível porque pode, de facto, durar toda uma vida com todo o respeito que isso implica e no fim ainda ter força para se mostrar. Incrível porque dá uma coragem sobrehumana às pessoas mais normais que conhecemos. Se calhar nunca reconhecemos as histórias de amor até o "sempre" estar perto, e não as podemos desfrutar como tal, e ainda bem, porque isso manter-nos-ia demasiado preocupados em ser perfeitos em vez de viver. Mas podemos optar por viver amando alguém...

3/04/2008

Acerto de contas

Valores que a Universidade de Coimbra me pagou este ano relativo ao meu trabalho de Janeiro e Fevereiro: O euros

Valores que eu paguei ao Estado relativo ao MEU trabalho de Janeiro e Fevereiro: 300,00 euros

Estará aqui qualquer coisa errada????...Se não tivesse os pais maravilhosos que tenho teria que ASSALTAR pessoas para poder ter um emprego digno.

A propósito, a reportagem de capa da Visão é assustadora. Reconheço-me e reconheço tantas outras pessoas que conheço nestes que aqui dão a cara e contam as suas histórias:




O que mais me irrita é achar que entre aqueles que se estão borrifando e os do "quero lá saber, eu já me safei..." (que se estão borrifando, portanto...) lamento que tanto se perca, tanta criatividade, tanta mente brilhante. Talvez alguém se revolta. Talvez alguém pague por se estar a borrifar.

3/03/2008

Fevereiro...

Acabou Fevereiro , este mês em que nasci, este mês de tudo. Ai, vida... é o óleo para mudar, será também o filtro?! Faço 27 anos, ainda não me pagaram, é a porcaria da Segurança Social..."só pode reclamar antes de fazer qualquer pagamento voluntariamente". Mas o que há de voluntário em ser roubada? Uvas sem graínha? O que raio é isto de uvas sem graínha? (Não devia ver televisão enquanto escrevo). A facilidade chega assim tão longe. Também não gosto da nata no leite mas como a côdea do pão. Há-de chegar o dia em que... "a bateria está quase a ir à vida, 'tá a perceber? Devia mudar os pneus de trás 'tá a perceber?" Quem é que disse que os mecânicos inventavam problemas na mesma medida em que somavam parcelas à conta final? Alguém disse..."Esta tampa está partida, tem que ser mudada 'tá a perceber?" Este mecânico irrita-me com esta do 'tá a perceber... "A tampa não estava partida quando cheguei..foi você que a partiu, agora cole-a com fita adesiva" "A menina é que sabe, mas uma tampa nova é barata 'tá a perceber? " Barata... Barato não se aplica a quem tem que pagar ao Estado antes do Estado lhe pagar o que deve. Porque é que não podemos simplesmente fazer acertos de contas? Por falar em acertos de contas...bom, deixemos agora isso. Só quero mudar o óleo... "A gente aconselha a mudar o filtro, 'tá a perceber?" Quais as consequências se eu não mudar? "As consequências é que a gente aconselha, 'tá a perceber?" Ó homem, mas que raio de resposta é essa. Ai meu deus... Fevereiro é o mês da matrícula do carro...como é que aquilo se chama? É o imposto único de.... de..... de.... circulação. Já fica para Março, de nada vale, a Universidade é caloteira, o Estado é ladrão. Merda de Universidade, esta de Coimbra, espero que exploda com muito fogo de artifício. Também não gosto de fogo de artifício. Deste ia gostar. E a graínha? Porque raio tiramos todas as dificuldades às crianças coitadinhas? Há-de chegar o dia em que com uma graínha engasgadas cairão e sem ar morrerão. Pelo menos não serão roubadas pelo Estado, assim, depois da grainha que um dia alguém se esqueceu de tirar.

2/12/2008

Post CC

Já passaram quase 5 meses desde que deixei de trabalhar num call-center... e cada vez que atendo o telefone ainda fico à espera de um louco aos berros do outro lado... (claro que se se tratar da Allianz, o louco aos berros sou eu - admito).

Livros


Li, há pouco tempo, este livro, o primeiro da Trilogia do Cairo. É, sobretudo, um relato da vida de todos os dias de uma família muçulmana no Egipto enquanto começava a luta pela independência. Enquanto o chefe de família, personagem ambígua e marcante, luta por manter a sua casa e a vida da sua família dentro da normalidade ( e dos costumes islâmicos), a revolução, aos poucos, vai chegando até eles. Li e deixei-me envolver completamente, graças à vivacidade da descrição que quase nos mostra as ruas, as casas, as personagens... Aconselho.

Vista da minha janela...

1/03/2008

Viva Portugal

Estava eu, nas minhas considerações de início de ano (que é como quem diz, contas à vida, literalmente) a indagar sobre porque é que tenho que descontar um total de 45 % do meu (parco, quiçá, mísero) ordenado para o Estado. Ordenado esse pago a recibos verdes pelo próprio Estado (quando de trabalhadora independente não tenho nada) quando vejo uma notícia que me elucidou e me deixou em suprema felicidade e ânsia por contribuir de forma tão generosa para propósitos mais altos: o financiamento dos partidos políticos com mais de 50 mil votos vai aumentar 5,7%. Posto isto, de que me queixo? Ainda bem que temos um Estado que zela pelo bem de todos nós. Estou certa de que tal medida (venha da indexação ao SMN ou ao raio que o parta) vai beneficiar milhões e milhões de portugueses. Talvez na próxima campanha as canetas sejam de cor, ou os aventais mais resistentes, não sei...

O ditado é velho: quem parte e reparte e não fica com a melhor parte, ou é burro ou não tem arte.

São os loucos

O que fazemos com os loucos que deixamos para trás? Os perdidos, fracos que alguma vez não se conseguiram levantar . Os que são como nós, que são fortes até não mais o serem, os que não aguentaram o tombo. O tombo que também provocámos que também podemos levar. Mas não levamos porque somos fortes, os outros são fracos. Somos responsáveis pelos loucos, os fracos? São loucos por sua culpa, são fracos. São loucos porque foram fracos. Se são fracos e não aguentam porque temos nós, fortes, de os proteger? Proteger deles próprios. Fossem eles fortes. É mais fácil ser fraco não é? E deixar que os outros tenham culpa, e deixar que outros... Por sermos fortes também provocámos o tombo. São fracos. Os fortes cuidam dos fracos. Tem que ser assim. Quando os fortes querem cuidar dos fracos.

11/15/2007

Recomenda-se...





Em português o título é "A estranha em mim". Ao contrário do que possa sugerir não mete extraterrestres ou serviços secretos a criar serezinhos que ficam com o nosso corpo, nem duplas personalidades complexas. Nada disso. É uma história bastante simples que ganha sobretudo com o que a envolve. Os planos de filmagem, as imagens de Nova Iorque, a banda sonora, as frases do programa de rádio da protagonista e olhar da Jodie Foster, que conta parte da história sozinho. Recomenda-se.

11/03/2007

Portugal...

Algumas frases sobre Portugal ditas num episódio da série "New adventures of Old Christine":

"-Onde é que fica Portugal, mãe?
-Sei lá, ninguém sabe. Os próprios portugueses pensam que vivem em Espanha."

"-Será que em Portugal comem cereais com passas?"

"-Havia uma família portuguesa e até esses escolheram a Jamaica para representar."

"-Mãe, é suposto irmos vestidos de portugueses, como é que é?
-Sei lá, veste qualquer coisa e põe-te ao lado de Espanha, todos vão perceber."

"-Portugal, jóia da Península Ibérica e exportador de cortiça...É tudo o que sei.
- E ainda assim deves ser a maior autoridade mundial no assunto."

Entre outras...a certa altura do episódio a tal mãe referida conhece uma portuguesa com quem até se dá bem... que obviamente é uma empregada doméstica.

I'm back...

9/19/2007

Despedida..

Esta sensação das despedidas. Esta sensação é sempre complicada. Terminou mais uma fase, mais um sítio deixado para trás. Aos meus colegas, a esses que à noite quando chego ainda por lá andam e aos sábados lá estão, e a outros, um obrigada por tornarem esta tarefa bem mais leve. Dessas pessoas, que são das mais inteligentes que conheci, e mais perspicazes e divertidas, vou ter saudades. Em todo o lado aprendemos coisas, aqui aprendi sobretudo o dom da paciência e do auto-controlo. E muitas piadas. Obrigada pelas gargalhadas que foram muitas, pelas fabulosas tardes de sábado fora da lei.. São de facto o melhor que se pode ter. Vou ter muitas saudades das pessoas que conheci. Mas é assim, amanhã já ocuparei este tempo, como sempre ocupamos tudo e sábado cá estarei porque me esqueci do guarda-chuva.

8/28/2007

Jogo

No blog da 100 sentidos encontrei esta sugestão, que também lhe foi feita por alguém e resolvi fazer só por curiosidade.

1.Pegar no livro mais próximo.
2. Abrir na página 161.
3. Procurar a 5ª frase completa.
4. Colocar a frase no blog.
5. Não escolher a melhor frase nem o melhor livro (usar o mais próximo).
6. Passar o desafio a cinco pessoas.

Neste caso o livro foi "O Marinheiro de Gibraltar" de Marguerite Duras. A frase foi

"Já nada podia ser como dantes."

Outra nota: enquanto pesquisava uma imagem deste livro deparei-me com o blog O Princípio dos Livros onde podemos encontrar excertos de vários livros que nos dão uma ideia de cada um deles. Alguns dos livros já conhecia, como Impossibilidade e A Rainha de Copas. Outros fiquei a conhecer. Um sítio interessante.

8/25/2007

Onde já nada é....


Gosto imenso de ver sítios completamente abandonados, gosto de ver fotografias de cidades onde já houve vida e agora só há restos do que houve. Como exemplo deixo aqui uma foto de Chernobyl e o link onde podem ver outras fotos, divididas por temas.


Onde já nada é....

8/23/2007

Saber


Sou uma leiga no que respeita a ciência. Deixei de ter qualquer disciplina da área das ciências no 9º ano... há muito tempo atrás. Não tendo bases para aprofundar certos conhecimentos recorro a alguns livros mais simples para aprender algumas coisas que acho interessantes. Um desses livros é o que aparece em cima. Está por ordem alfabética e é um conjunto de conceitos e expressões e até nomes relacionados com ciência e que vão sendo, um a um, explicados de uma forma bastante simples e por vezes recorrendo a desenhos, se necessário.


8/21/2007

World Press Photo


O prémio World Press Photo 2006 da Organização com o mesmo nome foi dado a esta foto tirada pelo fotógrafo Spencer Platt em Beirute, Líbano, num dos bairros destruídos pela guerra. Confesso que, tal como muita gente, quando vi esta foto me pareceu haver uma enorme desigualdade. O contraste entre a destruição à volta do carro, o cinzento à volta da cor que emanava dos protagonistas parecia indicar isso mesmo. Quem sabe turistas ricos a ver a destruição com uma curiosidade mórbida. Foi o descapotável vermelho, foram os óculos de sol e os telemóveis e até o cabelo louro que me influenciaram. Afinal eram habitantes do bairro destruído que voltaram para ver o que tinha ficado. O descapotável era o mini da namorada do condutor. Conseguiram fugir e voltaram. Novas vítimas de guerra. A maravilha do fotojornalismo é o momento único que a máquina apanha e que se destaca, mas toda a foto precisa de uma legenda. Este levou a que as pessoas que se vêem na foto viessem explicar quem eram. Uma fotografia poderosa.



Outras fotos premiadas podem ser vistas aqui.

8/16/2007

Trabalho...outra vez.

No meu trabalho, tanto num como noutro, ouço as coisas mais hilariantes e aprendi que as pessoas fazem e dizem coisas muito...variadas, que é como quem diz, dizem o que lhes vem à cabeça. Fazem também perguntas muito....curiosas, que é como quem diz, completamente disparatadas. Mas hoje ouvi a melhor, hoje fiquei com a chamada "cara de parva" a olhar para uma senhora que, no meio de uma conversa normal sobre a divulgação da ciência, me disse:

"Os dentes são teus?"

Ao que respondi: "Desculpe? Não percebi a pergunta."

A senhora apontou para os meus dentes e repetiu: "Os dentes... são teus?"

Pois é.... vamos lá aos locais de trabalho das pessoas perguntar: desculpe, o olho é seu ou é de vidro?

7/28/2007

Trabalho...

"Porquê ir para a praia e descontrair se posso optar por chatear alguém só porque sim?.. "

7/21/2007

A ambição de Chavez I

Com a aproximação do fim de vida do último genuíno e eficaz líder socialista, eis que o seu sucessor, mais que consentido, surge no horizonte. Hugo Chavez tem a vontade, tem a ideologia, tem as condições e tem o dinheiro. Terá também a agitação que já falta a Fidel e a ambição desmedida de um revolucionário com poder na mão e suporte económico para enfrentar os que lhe fizerem frente. As últimas eleições deram-lhe a passadeira democrática para a ditadura, não tardará a fazer aprovar pelo Parlamento uma lei que acabe com o próprio Parlamento, com o apoio da população (todas as ditaduras começam assim). Se Cuba definha de alguma forma com a sua população analfabeta e sua pobreza extrema (consequências do comunismo), depois do fim das ajudas da União Soviética após a guerra fria, o mesmo não se passa com a Venezuela. É que país muito pobre não é uma ameaça. Cuba tornou-se o mendigo lá da rua. Diferente mas indiferente. Hugo Chavez não quer ser assim. Sonha com estender o socialismo a toda a América Latina, sob a sua liderança e usa a estratégia que já conhecemos: oferecer ajuda económica aos vizinhos para estender a sua influência, e enfrentar o miúdo grande, George Bush. Mas Bush sabe que não pode perder terreno na América Latina. Esta mostra-se como o amigo popular e conveniente que os EUA querem, pelo petróleo, pela potencialidade económica do enorme país que é o Brasil, pelo gás natural da Bolívia. E Bush tenta grangear simpatias disfarçadas sobre viagens e ajuda. Chavez por seu lado estabelece alianças contra ele, tanto dentro da sua área de influência como com outros países como o Irão baseando-se no "inimigo comum" e profere discursos com o objectivo de o ridicularizar. Mas até que ponto conseguirá Chavez levar a cabo o seu projecto socialista sob a égide dos dólares negros da Argentina? Ainda que a sua reserva de petróleo suporte todas as ajudas que dá agora não é inesgotável. E como vai Chavez aplicar um modelo socialista à economia com empresas públicas que não tragam efeitos nefastos para a população? E como irão reagir os vizinhos de Chavez neste jogo de cooperação?

7/20/2007

Recreio...

É só pela frase...

O Estado da Nação

Do pouco tempo em que assisti ao debate notei essencialmente duas coisas: a oposição apostou na crítica à perseguição que tem sido feita pelo governo aos funcionários públicos e militares e José Sócrates apostou em defender-se com a estratégia do "não fui eu". Sim, de facto, ele tem razão, não foi ele, mas foi o governo dele e é sobre as acções do governo dele que, enquanto Primeiro-Ministro, tem que responder com algo mais do que a estratégia do "não fui eu". Especial destaque, neste ponto, para o discurso do deputado Fernando Rosas do Bloco de Esquerda que enumerou os vários factos relacionados com o tema.
Outro destaque foi o programa de apoio à natalidade apresentado por José Sócrates, cuja notícia podemos ver aqui no Público.
Entretanto um qualquer estudo sobre a Segurança Social e o seu estado financeiro aconselha, para ultrapassar o rombo da segurança social, o aumento do IVA para 25%. Claro... já agora porque não expropriarmos todos os habitantes do país e entregar os seus bens e dinheiro à Segurança Social? E já agora, sem contrapartidas, isso sim, é de português. Paralelamente (segundo ouvi no debate) há um estudo da Universidade de Copenhaga que defende a criação de uma taxa de IVA uniforme para todo o espaço europeu situada entre os 5 e os 12 %. Viva o estudo de Copenhaga.

7/13/2007

Ana dos Cabelos Ruivos-Genérico

Ou disto? Sim, estou a ter um ataque de nostalgia.

Tom Sayer

E disto, lembram-se?

Vitinho I

Lembram-se disto???....

Selecção Sub-20

Até para quem não tem qualquer interesse em futebol, como eu, o jogo Chile - Portugal da selecção sub-20, é escandaloso.

O vídeo da parte vergonhosa (para Portugal) do jogo está aqui.

7/12/2007

A ler...



"O Fantasma de Canterville e outras histórias" de Oscar Wilde





Além de "O fantasma de canterville", que adorei, há outros contos famosos como "O Príncipe Feliz" e "O Rouxinol", entre muitos outros. Cada conto deste livro nos transmite uma moral com histórias que nem sempre acabam bem. Relativamente ao fantasma em si, é um conto que alia o cómico ao ideal. Aconselho.

7/10/2007

BUDA



"Aprimorar a paciência requer alguém que nos faça mal e nos permita praticar a tolerância" Dalai Lama

7/07/2007

Manhãs...

Ainda maior parte dos meus assíduos leitores estão a dormir e já eu tive uma daquelas manhãs. Vim cedo demais para o trabalho... 45 minutos mais cedo!! Foi um erro, devia ter dormido até aquele minuto em que ac0rdamos desvairados, porque entretanto estávamos a sonhar que já nos tínhamos levantado e já estávamos a caminho do emprego. Se, para algumas pessoas acordar em cima da hora significa ter a manhã estragada, para mim vir cedo demais tem o mesmo efeito.
Entretanto fui tentar tomar o pequeno-almoço, mas não tinha comida em casa... pois bem, como é cedo e tal..., pensei eu, vou até à pastelaria e tomar lá o pequeno almoço. Pensei eu e várias pessoas, pois não havia meio de conseguir estacionar. Nada que não se resolvesse. Uma vez que tinha de passar na zona da Praça, iria ao Cartola, ver o que por lá se passa a um sábado de manhã... Mas não havia estacionamento. Depois de duas voltas rendi-me e parei num estacionamento pago, lá fui tirar o ticket e pagar 0.40 €. Fui até ao cartola (devo dizer que a um sábado de manhã afinal não se passa muita coisa...) e dei 2.20 € (440 escudos por um pequeno-almoço...não me posso esquecer de comprar pão) por um galão e uma torrada a pingar manteiga, mergulhada em manteiga. Depois de já estar enjoada, resolvi vir trabalhar e no caminho descobri que afinal o estacionamento ao sábado só é pago.... a partir das 10!!! Olhei para o relógio, eram 9.20. Por momentos pensei em ir bater na porcaria da máquina que não me avisou. Mas ainda me restava a calmaria do sábado de manhã, não ter que andar à procura de estacionamento, deixar o carro mesmo a porta. Isto, se não houvesse casamentos! Claro que com todos os parzinhos que se querem casar por aqui, porque se conheceram em Coimbra, blá, blá.... Eu é que me lixo. Lá tive que dar duas voltas e deixar o carro bastante mais longe do que deixo durante a semana e vir a pé. Agora sim, vou trabalhar e começar o dia...

7/05/2007

Viva a calma...

Acordei tarde, à hora de almoço e fui trabalhar. Estava a almoçar num dos bares da Universidade, entra uma pessoa para se sentar e começa a reclamar porque o espaço entre as mesas era pouco por isso não conseguia estar a vontade (espaço que serviu para toda a gente, com maior volume de corpo do que ela). Não entendia porquê, era inadmissível (que fosse a um restaurante de luxo...). Saí, fui tentar estacionar, havia um estacionamento livre, ia para estacionar, vem uma senhora em sentido contrário à pressa tapar-me o estacionamento. Mandou-me avançar para poder estacionar, expliquei-lhe que era um sentido proibido. Ignorou a questão e roubou-me o estacionamento, a mim, que fui dar uma volta enorme para não infringir a lei. (nome feio começado por c e acabado em a). Depois então começou a enxaqueca, pudera!..

7/03/2007

Depressão...

Hoje é daqueles dias em que me sinto triste. Só isso. Profundamente. É daqueles dias em que preciso de um abraço. Em que tenho saudades de qualquer coisa que nunca aconteceu. Um qualquer momento que não sei o que é. Uma qualquer forma de vida. Só triste. Decepcionada com qualquer coisa, aliás, com tantas coisas. Triste por qualquer coisa, com qualquer névoa a pairar. E a precisar de um abraço

6/30/2007

Coitado do Jim Morrison

Vamos fazer uma petição contra coisas destas. Ou vamos exportar este senhor...

AINDA...



A única justificação que vejo para este programa continuar no ar é terem-se esquecido deles. Presos na eternidade, dentro do cubo infernal da péssima televisão.

6/29/2007

Reclamações...

Pois é, "reclamações" é uma parte do meu trabalho. E detesto-as. Tenho uma boa teoria sobre como os portugueses de repente descobriram que têm direitos e que podem reclamar, logo fazem-no, e, à boa maneira portuguesa, muitas vezes exageram. E vão sempre escrever uma carta a alguém. Curiosamente, neste mundo de berros e insultos, às vezes encontramos pessoas com muita razão e... extremamente calmas e educadas. A esses agradeço a pausa...

Mas o que eu queria mesmo era dizer-vos algumas frases que se repetem dia após dia por vários clientes e que são sempre iguais e que, sinceramente, de tanto serem repetidas já não dizem nada. Aqui estão:

"...pois olhe que eu vou levar isto às mais altas instâncias!!" (esta é das mais ditas, curiosamente já a ouvi em muitos sítios diferentes. As três últimas pessoas que disseram isto porque não concordavam com algo que não as prejudicava em nada...Para vos dar um exemplo, seria como eu ir à Gucci perguntar o preço de algo e depois começar a berrar que era muito caro, que a situação não ia ficar assim e que ia levar isto às mais altas instâncias.)

"... isto vai para os jornais, ouviu? E até para a televisão..." ( a outra versão é: "vou chamar a TVI")

"porque você vai ser despedido se isto não se resolver..." (claro que vou, eu e todos nós... e morrer também... um dia.)

"vocês são todos uns incompetentes" (esta até eu já disse numa Câmara Municipal)

"...hão-de ter muitos clientes assim..."

"...Eu exigo agora..."

"Vocês não sabem com quem é que se meteram"

"Isto não vai ficar assim..."

Pois é, blá, blá, blá, amigos reclamantes. Isto não surte efeito. Simplesmente as pessoas abusaram e desgastaram estas frases, não servem. Se é daqueles que as dizem com um ar ameaçador vá fazê-lo em frente ao espelho e veja lá o que acha... Quando me lembrar de mais, partilharei convosco.

6/28/2007

Eles andam aí....



"O assessor reconheceu que não foi Maria Celeste Cardoso quem colocou ou mandar colocar o cartaz de que o ministro não gostou. " in Publico



"A directora do centro de saúde foi exonerada pelo ministro Correia de Campos, sob proposta da Sub-região de Saúde de Braga, por não ter retirado das instalações do centro um cartaz contendo declarações do ministro Correia de Campos "em termos jocosos"". in Publico




"o Expresso Online revelou que "José Sócrates apresentou uma queixa-crime contra o blogger António Balbino Caldeira devido ao conjunto de textos que este professor de Alcobaça escreveu" sobre o Dossier (utilização do título de engenheiro e percurso académico do primeiro-ministro)." in DoPortugalProfundo



"O director de serviços dos Recursos Humanos da

Direcção Regional de Educação do Norte (DREN)

foi afastado por alegadamente ter feito uma

afirmação "insultuosa" sobre a licenciatura

do primeiro-ministro, durante o horário de expediente.

Fernando Charrua só admite ter dito um comentário"jocoso". in Jornal de Notícias


"Escreveu um e-mail ao Governo, denunciando

o que considera ser uma dívida fiscal de uma empresa.

As perguntas que enviou ao cuidado do Ministério

das Finanças acabaram na mão da administradora

da firma para a qual trabalhava." in Portugal Diário



"Foi por SMS, davam-me conta de que estaria acontecer uma coisa grave, 48 horas antes de abrir o inquérito. Foi numa sexta-feira. Na segunda-feira tinha a participação escrita do facto." Margarida Moreira (directora Regional de Educação do Norte) acerca do caso do professor Fernando Charrua

6/27/2007

Efeito zen...

Nada com um bom fim-de-semana envolvida numa festa de São João da minha aldeia para acabar com qualquer stress ou tensão... Cansada mas feliz... Sabe bem, melhor que qualquer massagem...

6/21/2007

Mais ricos e mais infelizes?

O consumo de anti-depressivos aumentou, em Portugal, 68% e o número de suicídios 6%, desde 2001. Esta situação verifica-se paralelamente ao melhoramento dos índices de bem estar.

Este foi o tema do Fórum da Antena 1 da passada Terça-feira. Excluindo desde já a questão das razões pessoais que provocam qualquer uma destas situações, o que interessou abordar neste fórum foi a existência de condições ambientais, na nossa sociedade que se reflectem neste aumento.

Se, supostamente, temos vidas mais confortáveis, mais fáceis porque é que estamos mais deprimidos e nos suicidamos mais?
Antes de mais há que notar que hoje há mais consciência da depressão enquanto doença. Há mais pessoas a recorrer a médicos, seja ao médico de família, seja a psiquiatras, para tratar estados depressivos. Havendo uma tendência para receitar anti-depressivos em detrimento de outras terapias, há aumento deste consumo. Mas isto é apenas um pequeno factor.

Além deste há a questão da sociedade. Temos outros níveis de bem estar, mas a que preço? E que tipo de bem-estar? A sociedade é obviamente competitiva e cada vez mais individualizada, logo também estamos cada vez mais sós, principalmente aqueles que não conseguem, ou não precisam de se integrar neste ritmo de sociedade. São os nossos fracos da sociedade. São, por exemplo, os idosos... O fim do conceito de família enquanto comunidade com relações além-núcleo e dependência entre membros leva a um abandono que a nossa sociedade está pronta a absorver, através de lares, creches, ateliês de tempos livres e toda uma oferta de sítios onde podemos colocar os excedentários. Porque não podemos tratar deles, porque temos que trabalhar para podermos adquirir coisas que vão aumentar o nosso índice de bem-estar. E aumenta o bem estar material. E o nosso idoso morre de solidão algures. O sentimento de pertença a uma comunidade é um factor anti-depressão. Deixando de haver esse sentimento e esse apoio é mais difícil ultrapassar os problemas como desemprego, morte de familiares, entre outros...

Não esquecer também que os índices de bem estar aumentaram (hoje temos todos telemóveis, televisão, boas casas, aquecimento, carro, etc...), em grande parte graças a facilidade de crédito que hoje existe. Há um endividamento quase inconsciente porque tudo pode ser pago a prestações e o bem-estar material começa a parecer frágil quando as dívidas começam a ser muitas. Por vezes, este sobre-endividamento leva ao suicído...

Há, ainda, dentro deste cenário a falta absoluta de confiança nas instituições. Na justiça, na saúde, nos políticos... há a desprotecção dos que não conseguiram singrar na sociedade moderna e que não tendo esse sucesso material se vêm desprovidos de outro apoio.

Resumindo, os índices de bem estar são relativos e, ao contrário do que possa parecer, ou seja ser contraditório este melhoramento paralelo ao aumento das pessoas deprimidas, não o é. O bem estar é material, e para o alcançar, tivemos que prescindir de outras bases, que essas, sim, nos suportavam, fracos ou fortes.

Nota: um dos ouvintes do fórum fez um comentário com o qual concordei inteiramente. Que a religião é essencial na prevenção destas situações. A fé é uma terapia. E a pertença a uma comunidade religiosa é um factor de combate à solidão.

6/15/2007

Culturall Esplanada

"Culturall Esplanada" em Pombal

Eis que a Praça Marquês de Pombal, mais conhecida por Praça dos Cereais, devido a feira dos cereais que ali se realizava todas as Segundas e Quintas, ressuscita!! Depois de algum tempo em obras para restaurar esta zona da cidade e construir o parque de estacionamento subterrâneo esta zona já merecia uma vida nova. Na minha opinião é das partes mais bonitas de Pombal, não só pela antiguidade, mas também pelo espaço em si e por ser essencialmente pedonal. A rua Miguel Bombarda, que vai desde a praça até à linha do comboio já foi a zona principal de comércio. A feira fazia-se junto ao rio, depois de atravessar a linha do comboio e a feira dos cereais em frente à igreja fazendo daquela rua uma passagem obrigatória para comerciantes e compradores. Infelizmente a zona foi-se degradando e foi ficando abandonada com a abertura do shopping, com a concentração do comércio nessa zona da cidade e mais tarde com a abertura do novo espaço do intermarché. Também a mudança da feira para outro local fora do centro da cidade contribuiu para tirar grande parte da circulação de pessoas desta zona. Agora a zona está novamente aberta aos habitantes da cidade com uma mais valia: uma esplanada que ficará aberta à noite, no espaço em frente à Igreja Matriz. O espaço está bonito, a iluminação muito agradável e com certeza será um local muito bem rentabilizado pelas pessoas responsáveis, isto é, o Rancho Típico de Pombal. A esplanada é apoiada pelo bar situado no pátio interior do Celeiro do Marquês, já aberto desde a passada sexta-feira, e vai ser inaugurada este sábado com a actuação dos Melech Mechaya.
Espero que esta zona continue a merecer a atenção da Câmara Municipal pois há bastante para aproveitar, com espaços culturais mas também com uma recuperação a nível comercial (mas isso será assunto para outro post..) ...

6/08/2007

Cruzamentos

Estava quente, ainda bem que não vestira casaco. Também devia estar quente para o velhote sentado no muro do mini-mercado, de camisa de manga curta, às riscas, calças de tecido, cinzentas. Os joelhos ficavam à altura do peito, apoiados nos joelhos tinha os cotovelos...Numa mão segurava, preguiçosamente, um cigarro que ia fumando como quem se obriga a respirar. Noutra mão segurava um saco de plástico de supermercado. O que teria lá dentro? Alguma coisa que comprou. Olhou de soslaio, manteve o ar decidido de quem se dirigia a algum lado. Tinha a certeza que o velho olhava para ela. Continuou, consciente do efeito que devia provocar. Pena que não se dirigisse a lado nenhum e de nada lhe valesse o vestido novo. Por momentos quase se esqueceu de que não era o velho o abandonado e ela a rapariga decidida cuja vida esperava nalgum sítio. Por momentos quase se esqueceu que não tinha ninguém com quem ir ter. E teve inveja do velho que estaria à espera de alguém, que tinha um objectivo, que tinha um saco e um cigarro. Pelo menos ele teria alguém. E esse alguém estaria para chegar pela forma como quase se levantou quando passou um carro. Afinal não era. Voltou a sentar-se e a olhar para o prédio do outro lado da rua...

A rapariga da janela olhava para o fundo da rua, também devia estar com calor, senão não viria à janela... estava com uma camisola velha de trazer por casa e parecia ter vindo aproveitar o momento de pausa. Com certeza estava a estudar, era a época em que havia exames na Universidade. Desejava ter também alguma coisa para fazer, em vez de estar ali sentado com um saco ridículo na mão... e logo um saco do supermercado. Lá dentro só mesmo a carteira, vazia! A rapariga olhou para ele mas não se deteve. Devia estar preocupada, quem lhe dera ter também preocupações. Fumou pacientemente o cigarro enquanto fingia um gesto para se levantar como se aguardasse alguém e o alguém estivesse para chegar. Que inveja da rapariga da janela. Tinha algo que a esperava em vez de estar jogada para o nada, como ele. Tinha um objectivo... o dele era só estar ali. Ouviu passos de salto alto no passeio, passos que se aproximavam...

Já tinha saudades de estar à janela a olhar para a rua. Não tinha falta de tempo... esse agora tinha de sobra, desde que desistira de estudar... Olhou para o fundo da rua e viu a rapariga com um vestido lindo... quem lhe dera ter dinheiro para comprar também um. E os sapatos de salto alto, a embalar a rua com o ritmo dos passos. Com o vestido compraria aquela postura, aquela pose, aquela cabeça levantada e andar decidido. É isso havia de arranjar um vestido, com ele viria uma vida. Teria sítios onde ir, pessoas com quem ir ter, como a rapariga que andava no passeio. Talvez até encontrasse os velhos amigos, talvez até arranjasse um novo sonho de vida, um novo projecto. Sim, seria como a rapariga do vestido. Mas por enquanto não era, e invejava-a...

Novo Visual

Finalmente ganhei coragem e mudei o visual deste blog... Digam-me o que acham... eu prefiro assim, mais claro. Apesar de já não ser totalmente da cor da casa que lhe deu o nome. No processo de mudança aconteceram várias coisas, como ficar com a página toda negra...